Por Renan Truffi, Valor — Puerto Iguazú, Argentina
03/07/2023 14h10 Atualizado há 18 horas
O ministro das Relações Exteriores, chanceler Mauro Vieira, disse nesta segunda-feira (3) que o Brasil irá trabalhar para fortalecer a “integração financeira” do Mercosul durante os próximos seis meses, período no qual o governo brasileiro assumirá a presidência temporária do bloco. O chanceler não citou especificamente a chamada “moeda comum”, tema que ganhou prioridade na gestão petista. Mas disse que a diplomacia vai tentar ampliar o Sistema de Pagamento em Moeda Local do Mercosul (SML).
“Outra pauta com grandes desdobramentos para o comércio no Mercosul é a de integração financeira, que deve ser fortalecida. Considero que o principal caminho, a curto prazo, deve ser a ampliação do uso da opção de que já dispomos: o Sistema de Pagamento em Moeda Local do Mercosul (SML), que possibilita aos exportadores e importadores dos países sócios transacionarem em suas respectivas moedas locais”, disse.
“O Brasil tem simplificado os procedimentos de operacionalização do SML e ampliado a cobertura de instituições elegíveis a operar o sistema. Seguiremos engajados nos trabalhos da Comissão de Sistemas de Pagamentos Transfronteiriços, que iniciou seus trabalhos durante esta PPTA, comissão que, recordo, foi criada com o objetivo de trabalhar para o aprimoramento do SML”, complementou.
Mauro Vieira assumiu o compromisso durante a reunião de abertura da 62ª cúpula de presidentes do Mercosul, que começou oficialmente nesta segunda-feira em Puerto Iguazú, cidade argentina localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e a própria Argentina.
O chanceler brasileiro discursou na presença dos ministros das Relações Exteriores e da Fazenda de cada país do Mercosul. Isso porque, nessa terça (4), a Argentina passará o comando temporário do bloco para o Brasil, pelos próximos seis meses.
O tema tem sido lembrado pelo governo do PT desde que Luiz Inácio Lula da Silva voltou ao poder. Em maio, por exemplo, durante reunião entre o presidente brasileiro e os líderes das 12 nações sul-americanas, em Brasília, o petista defendeu “aprofundar a identidade monetária” por meio da criação de uma moeda comum para o comércio entre os países.
Na avaliação do presidente, isso não irá prejudicar os Estados Unidos, país que emite o dólar. Por outro lado, argumentou ele na ocasião, ficará “cada vez mais difícil”, sem essa mudança, manter o comércio bilateral na região.
“A gente quer repetir o mesmo erro do passado ou queremos uma nova negociação? Por que nós no Brasil e Argentina não podemos negociar nas nossas moedas? Se a gente não fizer isso, o comércio fica cada vez mais difícil. Comprar dólar para vender meus produtos não é correto”, defendeu.
Fonte: Valor Econômico


