07/06/2022
A economia brasileira gerou 196.966 empregos com carteira assinada em abril deste ano, informou ontem o Ministério do Trabalho e da Previdência Social, na atualização do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Em abril, foi criado 1,85 milhão de empregos formais, ao mesmo tempo que 1,66 milhão de trabalhadores foram demitidos. O dado foi melhor do que o do mesmo mês no ano passado (89,5 mil vagas formais). Porém, de janeiro a abril, o número de vagas criadas (770,6 mil) foi inferior ao do mesmo período do ano passado (894,7 mil).
Para o estrategista-chefe do Banco Mizuho no Brasil, Luciano Rostagno, os números de abril mostram tendência de desaceleração do mercado de trabalho com o arrefecimento da atividade. ?Embora o dado tenha sido bastante positivo, o que a gente vê é que a capacidade de geração de postos de trabalho vem diminuindo?, disse.
Rostagno reforça que os números de abril ainda estão sob a influência de dois vetores positivos ? a reabertura da economia e os estímulos fiscais de liberação do FGTS, pagamento do Auxílio Brasil e reajuste do salário mínimo ?, que favoreceram os serviços.
?O setor de serviços continua liderando a recuperação, mas começa a dar sinais de que o ritmo de crescimento tende a diminuir. A tendência é de que o PIB do primeiro trimestre (1%) tenha marcado a melhor taxa de crescimento da economia no ano e que, daqui para a frente, a atividade vá desacelerar?, disse Rostagno, que prevê alta de 0,5% do PIB no segundo trimestre.
Nos cálculos do economista da LCA Consultores Bruno Imaizumi, a geração de vagas desacelerou de 209 mil, em março, para 108 mil em abril, com ajuste sazonal (ou seja, uma compensação para comparar meses diferentes).
?Observamos que o ritmo de admissões e de demissões foi um pouco menor em relação ao mês anterior. Essa desaceleração já era esperada, porque 2021 tinha mais espaço para criação de vagas?, explica.
?Para um aumento adicional, o Brasil vai depender mesmo é do crescimento neste ano. Por mais que tenha melhorado a expectativa, uma expansão de 1,6% do PIB não vai trazer grandes melhorias.?
A FORÇA DOS SERVIÇOS.
A abertura de vagas de trabalho com carteira assinada foi novamente puxada pelo setor de serviços, com a criação de 117.007 postos formais em abril, seguido por comércio (29.261), indústria geral (26.378) e construção civil (25.341). Por outro lado, na agropecuária foram fechadas 1.021 vagas no mês.
O salário médio de admissão nos empregos com carteira assinada chegou a R$ 1.906,54 em abril, um crescimento real de R$ 15, conforme o ministério.
Fonte: O Estado de S.Paulo

