Os fluxos de entrada em fundos de crédito privado [private credit] nos dois primeiros meses deste ano caíram mais de um terço, à medida que investidores ficaram preocupados com defaults [calotes] de empréstimos alavancados [leveraged loans] de alto perfil e com a disrupção no setor de software, de acordo com o Morningstar Direct.
Fundos de crédito privado abertos [open-ended], que permitem aos investidores resgatar recursos em intervalos periódicos e aceitar aportes de forma contínua, registraram cerca de US$ 1,1 bilhão em captações líquidas [inflows], em comparação com US$ 1,8 bilhão no mesmo período de 2025, mostraram dados globais da Morningstar. Embora tenha havido uma leve alta em fevereiro, o setor ainda atraiu o menor volume mensal desde agosto de 2024.
A indústria de crédito privado, de US$ 1,8 trilhão, vem atravessando um momento difícil recentemente, diante de preocupações crescentes com os padrões de concessão de crédito e com a exposição a setores suscetíveis à disrupção pela inteligência artificial, como o de software. Em um sinal da tensão crescente, diversos gestores de alto perfil, incluindo Ares e Apollo, tiveram que bloquear resgates de investidores em seus fundos.
“Grande parte das preocupações tem se concentrado no segmento de empréstimos diretos [direct lending] nos EUA, particularmente na exposição dos fundos de crédito privado norte-americanos a empresas de software como serviço [SaaS, software-as-a-service]”, disse Mara Dobrescu, Senior Principal da Morningstar, à Bloomberg News.

Ela afirmou que um punhado de defaults de alto perfil em empréstimos alavancados no final de 2025 e o uso crescente de juros pagos em espécie [PIK, payment-in-kind] — em que, em vez de pagar em dinheiro, o tomador assume mais dívida — são vistos por alguns investidores como sinais de estresse crescente no setor.
A Europa, no entanto, está se mostrando um ponto positivo para gestores de crédito privado, com o segmento de empréstimos diretos na região mais diversificado entre setores, de acordo com Dobrescu.
“Empresas de software são muito menos representadas na Europa, enquanto outros setores ligados à economia real, como infraestrutura, são mais proeminentes”, disse ela.
Além disso, a Europa ainda registra demanda por estratégias focadas em ESG [sigla em inglês para ambiental, social e governança], “onde investidores europeus esperam gerar impacto ao conceder empréstimos a empresas com características ambientais e sociais positivas”, acrescentou Dobrescu.
Fonte: Bloomberg
Traduzido via Claude
