Por Brooke Masters — Financial Times, de Nova York
18/07/2023 05h01 Atualizado há 4 horas
A BlackRock dará aos investidores de varejo em seu maior fundo negociado em bolsa (ETF, nas iniciais em inglês) a oportunidade de participar da sua política de exercício de direito de voto (“proxy voting”, quando o acionista delega o voto em assembleias das empresas) em 2024, num momento em que a gestora de ativos, que administra US$ 9,4 trilhões, se movimenta para refutar acusações de membros do Partido Republicano de que segue uma “agenda woke”, termo em inglês relacionado ao “despertar” da consciência social e racial.
A maior gestora de ativos do mundo se reuniu às suas congêneres de ETFs State Street e Vanguard em experimentar maneiras de envolver investidores comuns na votação de propostas de acionistas, em uma época em que sua influência coletiva sobre empresas americanas tem sido alvo de críticas acirradas tanto da esquerda quanto da direita.
Os investidores do ETF iShares Core S&P 500 da BlackRock serão convidados a escolher entre sete políticas gerais diferentes, que vão desde votar com a direção até priorizar valores católicos ou fatores ambientais, sociais e de governança (ESG). Os investidores poderão também orientar a BlackRock a continuar a votar em nome das ações que detêm. Os clientes não poderão votar especificamente em determinada empresa.
O fundo, conhecido como IVV, tem mais de US$ 342 bilhões em ativos, o que torna este o maior esforço em proxy voting até o momento. A Charles Schwab começou a consultar investidores de varejo em três fundos no ano passado, a Vanguard geriu um projeto piloto envolvendo três fundos no segundo trimestre deste ano e a State Street lançou um programa de maior porte em abril.
Políticos republicanos de níveis estadual e federal acusam grandes gestoras de fundos de colocar metas sociais e ambientais à frente dos retornos financeiros aos investidores, denúncia desmentida por elas.
Ativistas sociais progressistas, por seu lado, estão furiosos pelo fato de as gestoras estarem apoiando uma proporção menor de propostas dos acionistas em questões climáticas do que em 2021. As gestoras respondem que as propostas passaram a ser colocadas com um excesso de precisão e não são do interesse dos investidores.
Ambos os lados argumentam que as grandes provedoras de investimentos têm um poder exagerado porque detêm 20% das ações de muitas empresas americanas.
A BlackRock e outras gestoras alegam que simplesmente fornecem o que seus clientes querem, seja investimento ESG ou com puro foco nos lucros. Submeter as decisões aos clientes por meio da política de exercício de voto tornaria essa solicitação mais confiável. A medida também poderá eliminar parte do tom acalorado de determinadas votações.
A BlackRock já dá a clientes institucionais que controlam US$ 2,1 trilhões em ativos de índices a opção de escolher o meio pelo qual suas ações serão votadas, e US$ 555 bilhões tinham seguido esse procedimento até fim de março. No projeto-piloto de varejo, as participações no IVV serão votadas em proporção à participação dos investidores que optam em cada política a ser seguida.
“A BlackRock tem compromisso com um futuro em que cada investidor possa ter a opção de participar no processo de votação dos acionistas”, disse Joud Abdel Majeid, diretora global de administração de investimentos.
A gestora também está trabalhando em torno de um programa do Reino Unido que permitirá que os detentores de ativos de varejo votem, mas ele ainda não foi lançado junto aos clientes.
O projeto-piloto da Vanguard, concluído em junho, deu a investidores de varejo que aplicam em três fundos a oportunidade de optar entre quatro alternativas – votar com a direção, abster-se, ESG ou deixar a critério da Vanguard. A empresa disse em comunicado: “Pretendemos consolidar o sucesso do nosso projeto-piloto por meio de sua expansão para a próxima temporada de proxy voting, para que possamos aprofundar a testagem e validar nosso enfoque”.
O programa da State Street, que permite ao investidor escolher entre sete opções, desde pró-funcionários até pró-direção, quer incluir 82% de todos os seus ativos em ações habilitados até o fim deste ano. Está começando com 57 ETFs e fundos mútuos em índices. Seu principal fundo no S&P 500, o SPY, o maior do mundo, não está habilitado devido às regras que definem sua estrutura como fundo mútuo.
Fonte: Valor Econômico
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