Por Toni Sciarretta — De São Paulo
14/03/2023 05h01 Atualizado há 4 horas
O bitcoin subiu mais de 15% ontem, recuperando o patamar de US$ 24,2 mil, e teve o melhor desempenho diário no ano após o anúncio de medidas para conter a crise bancária nos EUA e com a expectativa de aperto menos agressivo nos juros pelo Federal Reserve, o banco central americano.
Investidores que apostavam na baixa da criptomoeda foram pegos de surpresa e tiveram que correr para comprar o “token” e desfazer essas operações, alimentando ainda mais a valorização – movimento conhecido como “short squeeze”. Já o ether, moeda da rede Ethereum, subiu 8% e superou os US$ 1.700, mas depois desacelerou o ritmo de valorização. Com o rali, o valor total das moedas digitais voltou a ultrapassar US$ 1 trilhão, patamar perdido na semana passada com a crise dos bancos.
A Circle, emissora da USDC, a segunda maior “stablecoin” com paridade no dólar, conseguiu recuperar a conversão de um para um após emitir US$ 407 milhões de tokens e queimar outros US$ 314 milhões até ajustar a demanda crescente, segundo a empresa de análise de blockchain Nansen. Na sexta-feira, a empresa revelou que tinha US$ 3,3 bilhões de um total de US$ 40 bilhões das reservas do USDC depositadas no Silicon Valley Bank (SVB). A informação motivou corrida para sacar recursos, levando o token a cair até US$ 0,87.
A Binance, maior corretora de criptoativos do mundo, anunciou que vai converter os recursos remanescentes de seu fundo de US$ 1 bilhão de recuperação da indústria de ativos digitais que estavam em stablecoins para bitcoin, ether e seu token nativo BNB.
O otimismo chegou às ações do setor negociadas na Nasdaq. Os papéis da Coinbase tiveram alta de 12,35%, enquanto os da MicroStrategy subiram 16,2%. As ações da mineradora Marathon Digital ganharam 23,3%.
Segundo Ayrom Ferreira, chefe de análise da gestora Titanium Asset, a alta do bitcoin pegou de surpresa os “vendidos” que apostavam na baixa com a crise bancária nos EUA. Diante da rápida valorização, tiveram de comprar a moeda com preço superior. “Tivemos US$ 324 milhões em liquidações de operações vendidas nas últimas 24 horas. Bastante coisa”, disse.
No fim de semana, o Fed e a FDIC, agência responsável pelo seguro de depósitos nos EUA, prometeram proteger o dinheiro dos clientes após o colapso do SVB. Já o Signature Bank, um antigo parceiro da Binance no país, foi fechado pelos reguladores de Nova York, mas também terá os seus depósitos assegurados.
Para Fabricio Tota, diretor de novos negócios do MB, o momento atual de socorro aos bancos pode impulsionar uma forte valorização das criptomoedas.
“A história se repete. O bloco de gênese do bitcoin tem em seu registro o segundo socorro aos bancos lá em 2009. E com o governo americano salvando os bancos, dinheiro alternativo como o bitcoin atende como proteção. Momentos como esses podem impulsionar uma nova corrida às criptomoedas”, disse.
Fonte: Valor Econômico
