O bitcoin (BTC) aprofundou o ritmo de perdas nesta sexta-feira, arrastando as principais criptomoedas, e voltou a ser negociado abaixo de US$ 100 mil com o movimento global de aversão a ativos de risco.
As perdas ocorrem com a reversão de expectativa de corte de juros nos EUA em dezembro após dirigentes do Federal Reserve (Fed, banco central americano) sinalizarem que preferem manter os juros no atual patamar diante de incertezas crescentes no mercado de trabalho e atividade na virada do ano.
A maior das criptomoedas perdeu sucessivos suportes de preço e chegou à mínima de US$ 96.170 nos negócios da Ásia, em meio a venda de ações ligadas à inteligência artificial (IA) e tecnologia em geral.
Os fundos negociados em bolsa (ETFs) de bitcoin à vista tiveram mais um dia de fortes resgates. O saldo líquido ontem ficou negativo em mais US$ 866,7 milhões. Os dois principais responsáveis pelo fluxo vendedor foram o FBTC, da Fidelity, com US$ 119,9 milhões de excesso de vendas de cotas em relação às compras; e o IBIT, da BlackRock, com US$ 256,6 milhões.
Já nos ETFs de ether, o fluxo foi negativo em US$ 259,6 milhões. Os dois maiores alvos da saída de recursos foram o ETHA, da BlackRock, com US$ 137,3 milhões; e o ETHE, da Grayscale, com US$ 67,9 milhões.
Para Andre Franco, da Boost Research, a margem para novos estímulos monetários parece ter diminuído, levando investidores a reavaliar riscos de valuation, especialmente no setor de tecnologia. “A expectativa de curto prazo para o bitcoin é negativa, já que a combinação entre menor probabilidade de cortes de juros e aumento da aversão ao risco cria um ambiente desfavorável para criptomoedas, que tendem a reagir de forma sensível ao apetite global por risco”, disse.
O analista acredita que o bitcoin oscile entre US$ 95.000 e US$ 102.000, com viés de baixa. “Caso a pressão persista ou surjam dados macroeconômicos adversos, o ativo pode testar suportes mais profundos na região de US$ 92.000 a US$ 94.000”, disse.
Perto das 8h30 (horário de Brasília), o bitcoin tinha baixa de 6,4% em 24 horas, cotado a US$ 96.470, conforme dados do CoinGecko. Em reais, o bitcoin recuava 6,05% a R$ 512.479, de acordo com valores fornecidos pelo Cointrader Monitor.
Entre as altcoins, o ether, moeda digital da rede Ethereum, tinha baixa de 9,9% a US$ 3.148. Enquanto isso, o XRP, token de pagamentos internacionais da Ripple, recuava 8,7% a US$ 2,27; a solana (SOL) registrava desvalorização de 9,5% a US$ 141,06; e o BNB (token da Binance Smart Chain) tinha perdas de 5,8% a US$ 909,10. O valor de mercado somado de todas as criptomoedas do mundo atualmente era de US$ 3,345 trilhões.
O analista de criptoativos Beto Fernandes, destaca que os investidores chegaram a ter um nível de 90% de apostas em um novo corte de juros na maior economia do mundo em dezembro, mas o percentual caiu para 50% agora. “Ou seja, esse voo cego que durou mais de um mês tirou muitas das perspectivas do mercado sobre o que esperar no curto prazo”, comenta.
Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil, diz que o mercado ainda está fragilizado pela combinação de liquidez apertada e sentimento de aversão a risco. Para ele, a incerteza sobre o corte de juros nos EUA em dezembro provoca muita cautela.
“Nesse sentido, o patamar dos US$ 100 mil é crucial. Se o suporte for perdido, uma correção mais profunda em direção aos US$ 95 mil se torna o cenário mais provável”, afirma, referindo-se ao preço do bitcoin.
Fonte: Valor Econômico
