O acordo também representa uma saída para o governo alemão, que detém 13,3% da CureVac após adquirir uma participação durante a pandemia
A BioNTech anunciou que vai comprar a CureVac por cerca de US$ 1,25 bilhão, em uma transação envolvendo apenas ações que impulsionará seus crescentes negócios de oncologia.
Os acionistas da CureVac deterão entre 4% e 6% da BioNTech após a conclusão do negócio. Os investidores receberão aproximadamente US$ 5,46 em ações da BioNTech para cada uma da CureVac, informaram as empresas na quinta-feira. O preço representa um prêmio de 34% em relação ao preço de fechamento das ações da CureVac na quarta-feira.
O acordo encerra décadas de rivalidade entre as duas empresas, que chegaram ao auge durante a corrida para desenvolver uma vacina contra a covid. A BioNTech venceu a corrida com sua parceira Pfizer, transformando-se em uma das principais empresas de biotecnologia da Europa. A vacina da CureVac nunca chegou ao mercado após se provar menos eficaz em testes clínicos.
A CureVac se afastou do trabalho com doenças infecciosas, concentrando-se em imunoterapias contra o câncer. A oncologia também é uma área-chave para a BioNTech, e a aquisição reunirá “capacidades complementares” para impulsionar a capacidade da BioNTech em câncer, disse o CEO, Ugur Sahin, em um comunicado.
O acordo também representa uma saída para o governo alemão, que detém 13,3% da CureVac após adquirir uma participação durante a pandemia. O governo receberá cerca de US$ 163 milhões em ações da BioNTech sob os termos do acordo. O governo tem uma visão positiva da transação, de acordo com a BioNTech.
A BioNTech espera obter compromissos contratuais para apoiar o negócio de pouco mais da metade dos acionistas da CureVac, incluindo seu principal investidor, Dietmar Hopp, o bilionário alemão cofundador da gigante de software SAP.
A aquisição é a mais recente de uma série de medidas da BioNTech para alavancar seus bilhões da covid em seu crescente portfólio de câncer. No início deste mês, a empresa licenciou um medicamento de última geração contra o câncer para a Bristol-Myers Squibb por até US$ 11,1 bilhões.
A transação está sujeita a certos limites sobre quantas ações seriam trocadas se o preço das ações da BioNTech atingir determinados níveis cinco dias antes do fechamento do negócio, o chamado mecanismo de “collar”. Ambos os conselhos a endossaram.
A CureVac vendeu seu negócio de vacinas para a GSK no ano passado.
Fonte: Valor Econômico