A Biolab, farmacêutica nacional da família Marques que é a décima maior em faturamento no país, recebeu aval para tomar R$ 240 milhões junto ao BNDES para financiar seus projetos de pesquisa e desenvolvimento. Os recursos, liberados por meio do programa BNDES Mais Inovação, serão usados na criação de novas moléculas e no desenvolvimento de novos genéricos para tratamento de diabetes e hipertensão.
Entre os medicamentos inovadores perseguidos pela Biolab está uma molécula sintetizada a partir de substância encontrada no veneno da aranha armadeira. Resultados preliminares indicam que há nela potencial para tratamento da disfunção erétil. Segundo a Biolab, o medivamento está sendo desenvolvido com parceiros e vem apresentado resultados “promissores e seguros” nos testes.
Já na categoria que o BNDES chama de “inovações incrementais”, a Biolab quer aprimorar processos associados a medicamentos já existentes, como anti-hipertensivos e anestésicos.
“É uma oportunidade de mostrar o alto valor tecnológico que a indústria brasileira é capaz de oferecer, contribuindo para aumentar nossa autossuficiência e competitividade no cenário mundial”, diz, em nota, Cleiton de Castro Marques, sócio e membro do conselho da Biolab, fundada por ele em 1997.
R$ 1 bilhão
Em entrevista recente ao jornal Valor Econômico, a companhia disse estar investindo R$ 1 bilhão em novo complexo industrial em Pouso Alegre (MG) e que planeja fechar 2024 com faturamento de R$ 3 bilhões. Entre os medicamentos do seu portfólio está o Vonau Flash, usado para o tratamento da náusea e criado em parceria com a USP. Segundo informou a USP durante a pandemia, sua patente é a mais lucrativa até hoje na história da universidade.
Em nota enviada à coluna, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse que, no primeiro semestre de 2024, o BNDES aprovou R$ 2 bilhões em crédito para o setor farmacêutico, cifra recorde na série histórica iniciada em 1995.
“Na área de saúde, é muito evidente o impacto social e econômico de uma política industrial que estimule a produção e a inovação. Após anos de negacionismo no país, o governo do presidente Lula retoma o apoio ao desenvolvimento de novos fármacos para ampliar o acesso da população à saúde, oferecendo alternativas de tratamento mais eficientes e mais baratas”, argumentou Mercadante na nota.
A Biolab é controlada por família com tradição no setor. Um irmão do fundador Cleiton de Castro Marques é dono da União Química, e seu sobrinho João Adibe comanda a Cimed.