O biênio 2024 e 2025 promete uma supersafra de crédito estressado e em situações especiais no Brasil, segundo a carta trimestral da Root Capital, de Rafael Fritsch. Segundo o texto, enviado hoje a investidores, a tese de que o mercado brasileiro deveria estar entrando em um período de recuperação da capacidade de geração de caixa das empresas, na carona da redução gradual da Selic, está longe da realidade quando se trata de reestruturações mais complexas.
No ano passado, o Brasil registrou um número recorde de recuperações judiciais. “Bancos e fundos de investimento vêm trabalhando incansavelmente desde 12 de janeiro de 2023 para resolver casos extremamente complexos, como os envolvendo Light, Lojas Americanas, Unigel, Gol e Oi, para citar apenas alguns exemplos mais óbvios”, escreve o gestor.
Apesar de mais de 15 meses terem se passado desde a revelação da fraude contábil em Lojas Americanas, a maioria dos bancos e fundos de investimento ainda mantém exposição significativa a esses nomes, dentre outros que entraram em reestruturação, relata. “Aparentemente, quase nada relevante foi vendido até agora – esses ativos ainda não foram realmente transacionados, como diria o mercado de distressed.”
Além disso, 2024 começou com uma nova onda de problemas, vinda do agronegócio, incertezas fiscais, enquanto a taxa básica de juros da economia pode cair a um ritmo menor do que se previa, “causando grandes dores de cabeça em um mercado de crédito já fragilizado e sobrecarregado”, continua o gestor.
“Nos parece claro que estamos diante de uma potencial montanha de ativos ainda não transacionados.” Para completar, os estrangeiros, os maiores provedores de capital global, estão fora do Brasil.
Pelos cálculos da casa, o capital disponível para investimento das gestoras nacionais poderia totalizar R$ 20 bilhões. Apesar de impressionante, o valor seria insuficiente para resolver, por exemplo, uma reestruturação como a da Samarco, cuja dívida totaliza R$ 34 bilhões. “Ou seja, ainda é muito pouco comparado com a diversidade e tamanho das oportunidades existentes.”
Nesse cenário, o fundo Special Situations III, cuja captação alcançou R$ 300 milhões num 2023 difícil para os investimentos alternativos de maneira geral, deve finalizar seus investimentos até o fim do semestre.
Com essa supersafra no horizonte dá para esperar um novo fundo no radar? Questionado, Fritsch desconversa, mas entre alocadores e multifamily offices há quem espere uma rodada de captação da Root, maior do que a feita no ano passado.
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Rafael Fritsch, sócio e diretor de investimentos (CIO) da Root Capital — Foto: Reprodução/LinkedIn
fonte: valor econômico
