O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, traçou paralelos entre a invasão da Ucrânia pela Rússia e a Segunda Guerra Mundial, em seu discurso realizado hoje na comemoração do 80º aniversário do Dia D na Normandia, na França. Em um ataque direto ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, Biden traçou um paralelo entre ele e Adolf Hitler, afirmando que “a Ucrânia foi invadida por um tirano” e acrescentando , que as forças de Kiev estavam “lutando com coragem extraordinária, sofrendo grandes perdas, mas nunca recuando”.
“Os autocratas do mundo estão observando atentamente para ver o que acontece na Ucrânia”, disse o presidente americano, completando que se recuar no conflito, “os vizinhos da Ucrânia serão ameaçados, toda a Europa será ameaçada”. “Hitler imaginou que as democracias eram frágeis e o futuro era dos ditadores”, prosseguiu Biden. ““Não podemos nos render aos tiranos. Se o fizermos, a liberdade será subjugada e toda a Europa estará ameaçada”, disse.
Falando no local onde estão enterrados 9.388 membros das Forças Armadas dos EUA que participaram dos desembarques em 1944, Biden prometeu que os EUA “não vão recuar” do conflito, afirmando que as forças sombrias contra as quais os Aliados lutaram há 80 anos não desapareceram.
“Temos de nos perguntar: vamos outra vez nos levantar contra o mal, contra a brutalidade esmagadora? Vamos nos unir pela liberdade, defender a democracia? Vamos nos unir? Minha resposta é sim, e só pode ser sim”, discursou.
O tom era previsível, dado o grau da crise entre o Ocidente e Moscou, na esteira da invasão de 2022 da Ucrânia. Ao traçar paralelos entre 1944 e 2024, Biden também sinalizou à China. “Nós não vamos nos afastar [do apoio a Kiev]. Se o fizermos, [Putin] não vai parar ali”, disse. .
O discurso vem na esteira de um renovado apoio ocidental a Kiev, após quase seis meses de protelações devido ao conflito no Congresso americano entre os democratas de Biden e o republicanos do seu rival na eleição em novembro Donald Trump.
Os EUA e países europeus passaram a autorizar ataques ucranianos com armas ocidentais contra alvos russos, e novos pacotes de ajuda foram anunciados. Analistas, contudo, acreditam que talvez seja tarde para salvar a Ucrânia de uma temporada de más notícias no campo de batalha.
A fala de Biden também mirou Trump, um crítico da Otan durante sua passagem pela Casa Branca (2017-2021). Falando sobre a necessidade de união entre aliados, disse: “Espero que a América nunca esqueça. O isolamento não é a resposta hoje”, afirmou.
O Dia D em si é lateral na historiografia russo-soviética, que considera a abertura da segunda frente na guerra europeia um esforço para apoiar a vitória que já se desenhava nas grandes batalhas de 1942-43 no leste. Putin leva tão a sério isso que criminalizou narrativas alternativas na Rússia.
O presidente russo e nenhum oficial representando o governo foi convidado pela França para participar da celebração.Representantes da oposição anti-Kremlin e da sociedade civil também não estarão presentes, informou a “Agence France-Presse” (AFP).
Durante o discurso no evento, que contou com diversas autoridades mundiais, Biden disse que o Dia D provou que a democracia é mais forte do que qualquer exército no mundo.
“O que os Aliados fizeram há 80 anos, supera em muito qualquer coisa que poderíamos ter feito sozinhos. É uma lição que eu oro para que os americanos nunca esqueçam”, disse ele, enfatizando o valor da aliança da Otan.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2024/k/Y/BjGA66R7S0khF0OJdreQ/e2bde367e1994b748f554fc004d01d5c-0-05854878a086441aa810fc6a33019871.jpg)
Fonte: Valor Econômico

