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O presidente os EUA, Joe Biden, disse ontem que Israel deve evitar atacar instalações nucleares do Irã em retaliação ao ataque com mísseis de terça-feira. Questionado sobre se apoiaria tal reação, sugerida por políticos israelenses, Biden foi enfático: “A resposta é não”.
Ele disse que estava pronto para falar com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, sobre o assunto e que o G7 (grupo das principais economias mais ricas) está agindo para evitar uma nova escalada, enquanto impõe mais sanções ao Irã. “Todos os sete concordamos que Israel tem o direito de responder, mas eles têm de responder proporcionalmente”, disse Biden.
Os comentários marcaram uma nova tentativa dos EUA de controlar Israel, algo que frequentemente não conseguiu em quase um ano de conflito militar.
No ataque de abril, quando o Irã lançou uma ofensiva com dezenas de drones ao território israelense — mas sem causar danos significativos —, Israel respondeu atacando uma única instalação militar iraniana. Mas poucos agora esperam uma reação tão limitada de Israel, o que representa um novo teste para o governo de Biden, que tenta evitar a escalada nas tensões.
Na avaliação de Panikoff, agora que o Irã lançou mais de 180 mísseis contra Israel e este parece determinado a dar uma resposta forte, “o desafio de evitar uma guerra regional está no ponto mais crítico desde 7 de outubro”.
Biden tem tentado esfriar o revide desproporcional de Israel, enfatizando que o ataque do Irã foi mais uma vez frustrado pelas defesas israelenses e americanas.
Ao mesmo tempo em que reconheceu que a barragem de mísseis do Irã significou “uma escalada expressiva”, o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, insistiu em que ela “parece ter sido derrotada e ineficaz”.
Em meio à guerra de narrativas, Israel diz que suas defesas fizeram com que o ataque causasse “apenas danos menores”, enquanto Teerã disse ter feito um bombardeio bem-sucedido à base Nevatim, que abriga vários caças F-35, e à sede do serviço de espionagem.
Netanyahu disse na terça-feira que o Irã tinha cometido “um grande erro” e “pagará por ele”. Ao contrário do que ocorreu no ataque anterior do Irã, Israel não precisa temer que uma resposta a Teerã provoque um grande confronto com o Hezbollah. A recente ofensiva aérea e terrestre de Israel contra o Hezbollah e sua força superdimensionada de mísseis enfraqueceu muito suas capacidades.
Por outro lado, Israel precisa fazer planos de contingência para uma reação do Irã em vários cenários. Teerã anunciou que sua barragem de mísseis de terça-feira foi uma retaliação pela morte do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, e ameaçou levar a cabo “ataques esmagadores” se Israel revidar.
Segundo analistas, um ataque israelense contra instalações nucleares ou de infraestrutura de petróleo do Irã seria uma escalada expressiva. Isso poderia levar Teerã a lançar mísseis maiores, promover ataques terroristas a interesses israelenses no exterior, acelerar seu programa nuclear e, obviamente, avançar para uma bomba.
Depois que Israel escapou praticamente ileso do ataque de mísseis menores e drones do Irã em abril, Biden pressionou Netanyahu a “declarar-se vitorioso” e limitar a retaliação. Israel o ouviu.
Não existe expectativa de que a resposta de Israel seja tão limitada desta vez, embora algumas ex-autoridades esperem que o país mostre algum comedimento ao adotar ações militares contra o Irã.
“Israel busca reforçar a ideia de que sua superioridade tecnológica e capacidade militar permitem que ele atinja qualquer alvo no Irã”, disse Norman Roule, que foi o principal agente de inteligência dos EUA no Irã de 2008 a 2017.
Para ele, também é provável que Israel evite atingir alvos que possam desencadear uma guerra em larga escala com o Irã.
“Uma guerra com o Irã exigiria o apoio político, econômico e militar dos EUA, se é que não sua participação”, disse Roule. “Israel sem dúvida sabe que Washington não tem nenhum interesse em se envolver em um conflito desse tipo.”
Para analistas, neste momento em que o Hezbollah ainda está abalado pela devastadora campanha israelense, o Irã tentou encontrar uma forma de mostrar que mantém a proteção de seu “eixo de resistência” sem causar reações que ameacem sua segurança.
Fonte: Valor Econômico
