Atualmente, cerca de 70% do faturamento da Bayer vem dos medicamentos de alto custo
PorBeth Koike, Valor — São Paulo
Dentro de sua estratégia de focar em medicamentos de alto custo, a farmacêutica alemã Bayer está repassando a gestão e comercialização do seu contraceptivo Qlaira, líder desse segmento com 10% de participação de mercado, à brasileira Biolab. Essa é a primeira parceria da Bayer e já há negociações em andamento com a própria Biolab e outras farmacêuticas para os demais medicamentos da casa que deixaram de ser prioritários.
A Bayer tem forte tradição no mercado de contraceptivos. A farmacêutica alemã foi a primeira a produzir pílulas anticoncepcionais, em grande escala, no mundo nos anos 1960, desembarcando no Brasil dois anos depois. Na área de saúde feminina, o foco da companhia passa a ser apenas o dispositivo intrauterino (DIU) hormonal.
Atualmente, cerca de 70% do faturamento da Bayer vem dos medicamentos de alto custo. A meta é que em cinco anos esse percentual aumente para 80%.
As duas farmacêuticas fizeram um acordo em que o Qlaira continua sendo fabricado na Alemanhã pela Bayer e a brasileira será remunerada sobre as vendas adicionais do anticoncepcional, cujo faturamento foi de R$ 170 milhões, no ano passado. “A Biolab tem uma grande estrutura comercial e ainda há espaço para o Qlaira crescer”, disse Adib Jacob, presidente da Bayer Brasil.
O segmento nacional de contraceptivos movimenta R$ 2,7 bilhões, ano. Segundo Jacob, o Brasil é o maior mercado desse medicamento no mundo. Com o acordo, a Biolab passa a administrar uma fatia de 15% desse negócio de anticoncepcionais, o equivalente a R$ 270 milhões. “Acredito que é o primeiro acordo entre vários outros outras que podem surgir com a Bayer tendo em vista que ela está focando em outros mercados. Temos experiência em trabalhar em parceria, já fizemos cerca de 50 acordos dos mais variados tipos e com diferentes empresas”, disse Cleiton Castro Marques, CEO da Biolab. Essas parcerias representam 25% da sua receita.
Com a chegada do Qlaira ao seu portfólio, a farmacêutica brasileira estima um incremento de R$ 200 milhões no faturamento que deve atingir R$ 3 bilhões, neste ano. “Estamos antecipando essa meta que era prevista para 2025”, contou Marques.
A Biolab não está assumindo a gestão comercial dos demais anticoncepcionais da Bayer como Mirena e Yasmim porque esses produtos concorrem diretamente com seus contraceptivos que tem um tíquete menor. “O Qlaira é um medicamento de primeira linha, mas tem um preço intermediário, acessível. É possível expandir bem as vendas”, disse o CEO da Biolab, cujo medicamento de maior sucesso é o Vonau. Trata-se de um remédio para enjoo desenvolvido em parceria com a USP e que deu o maior volume de royalties de toda a história da mais prestigiada universidade do país.
Na Bayer, as áreas prioritárias são saúde feminina — cuja principal novidade esperada para 2026 é um medicamento não hormonal para os sintomas da menopausa — oncologia, cardiologia, diabetes, oftalmologia e pneumonologia.
Fonte: Valor Econômico