Por Gabriel Roca, Arthur Cagliari e Augusto Decker — De São Paulo
18/07/2023 05h03 Atualizado há 5 horas
O desempenho bem mais fraco que o esperado da atividade econômica em maio voltou a embutir nos preços dos ativos uma maior chance de o Banco Central ser mais agressivo na redução dos juros já em agosto. As taxas futuras se ajustaram em queda firme ao IBC-Br de maio, o que abriu espaço para uma recuperação do Ibovespa, que fechou em alta, apoiado por ações de bancos. Já o câmbio acompanhou o exterior foi afetado pelo fraco crescimento chinês, que penalizou o real.
A queda de 2% do IBC-Br na passagem de abril para maio surpreendeu negativamente os agentes. O resultado veio abaixo do piso das estimativas do mercado, o que intensificou a sensação de perda de fôlego da atividade econômica e deu apoio à queda firme dos juros futuros. A taxa do DI para janeiro de 2025 recuou de 10,92% para 10,79%; e a do DI para janeiro de 2027 caiu de 10,36% para 10,24%.
“A queda acentuada mês a mês em maio contrastou fortemente com os relatórios econômicos mais recentes, incluindo os de indústria e de serviços”, nota o economista-chefe para Améria Latina da Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia. Caso o IBC-Br de junho fique parado em relação a maio, o desempenho da atividade no segundo trimestre será de crescimento de apenas 0,3% em relação aos três primeiros meses do ano, quando houve uma expansão de 2,2% – uma desaceleração expressiva, “ressaltando a necessidade de cortes nos juros”, afirma.
Além do IBC-Br de maio, o Boletim Focus também deu a senha para um dia de alívio nos juros futuros, ao voltar a mostrar uma queda nas expectativas de inflação de médio prazo. A mediana das projeções dos economistas de mercado para o IPCA de 2025 caiu de 3,60% para 3,55%. Assim, no fim dos negócios de ontem, a curva de juros embutia cerca de 50% de possibilidade de um corte de 0,5 ponto na Selic já em agosto.
A decepção com o desempenho da economia também foi visto em dados da China divulgados na noite de domingo. Com um crescimento de 6,3% na base anual no segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês decepcionou os agentes do mercado, que projetavam expansão de 6,9%, e penalizou os preços de commodities, em um movimento com repercussões no mercado local.
No câmbio, o dólar subiu 0,24% e encerrou a segunda-feira negociado a R$ 4,8064. Apesar da alta, a moeda americana encerrou a sessão bem afastada das mínimas do dia. Já na bolsa, ações de empresas ligadas a commodities metálicas terminaram a sessão em queda. Os papéis ordinários da Vale caíram 1,11% na sessão.
Fernando Bresciani, analista do Andbank, acredita que a ação da Vale “já caiu demais” – o papel acumula perda de 21,98% este ano. “Entre BHP, Rio Tinto e Vale, a mais descontada é a Vale. Ela tem mais potencial para subir do que para cair”, diz. “Mas precisa de um evento positivo, e o que o governo chinês fez até agora [para estimular a economia] foi a conta-gotas.”
Mesmo com o desempenho negativo da Vale, o Ibovespa conseguiu se firmar em alta e, assim, exibiu ganho de 0,43%, ao terminar o dia com 118.219 pontos. As ações da Petrobras, que começaram a sessão em queda, ganharam força ao longo do dia e terminaram o pregão perto da estabilidade – os papéis ordinários subiram 0,03%.
A melhora no desempenho da Petrobras não veio sozinha. Ações de bancos mostraram alta na sessão de ontem, o que deu apoio à alta do Ibovespa. As ações preferenciais do Itaú subiram 1,94%; as do Bradesco ganharam 1,59%; os papéis ordinários do Banco do Brasil tiveram alta de 0,88%; e as units do Santander avançaram 2,15%. O mercado aguarda o início da temporada de balanços das instituições financeiras.
Fonte: Valor Econômico

