18 Jul 2023
O dia estava amanhecendo quando um ataque mortal destruiu parcialmente ontem a ponte que liga a Crimeia à Rússia, matando duas pessoas e interrompendo uma importante rota de abastecimento para as tropas russas no sul da Ucrânia. Moscou classificou a ação de “atentado terrorista” e culpou os ucranianos. Imediatamente, o Kremlin suspendeu o acordo de exportação de grãos.
O acordo permite que a Ucrânia escoe sua produção de trigo, cevada e óleo de girassol pelo Mar Negro, dominado pela Rússia. O pacto, intermediado pela ONU e pela Turquia, despeja no mercado global 36,2 milhões de toneladas de grãos, mais da metade para países em desenvolvimento. Economistas acreditam que o fim do acordo signifique um novo aumento nos preços dos alimentos.
A ponte tem uma profunda importância estratégica e simbólica. Ela foi construída por ordem do presidente russo, Vladimir Putin, depois que a Rússia anexou a Crimeia, em 2014. Custou US$ 3,7 bilhões e foi inaugurada em 2018 pelo próprio presidente da Rússia.
A rota já foi alvo de ataques anteriores. Em outubro, um atentado – reivindicado pela Ucrânia, meses depois – interrompeu o trânsito nas duas direções. A ponte foi reaberta em fevereiro. As linhas férreas retomaram as operações em maio.
Ontem, o trecho de 20 quilômetros ficou interrompido. Os danos desta vez, no entanto, parecem não ter sido tão graves como antes. Lentamente, alguns trens voltaram a circular horas após a explosão. “Este é mais um ataque terrorista perpetrado pelo regime de Kiev”, disse Putin, em discurso na TV.
O governo da Ucrânia não assumiu a responsabilidade pelo ataque, recorrendo à retórica ambígua que usa nos quase 18 meses de conflito. Os militares ucranianos, que desde o mês passado iniciaram uma contraofensiva para tentar retomar territórios ocupados pela Rússia, alegam que a ponte seria um alvo legítimo em razão do seu papel logístico vital para os esforços de guerra russos.
“Qualquer estrutura ilegal usada para a entrega de instrumentos russos de assassinato em massa terá vida curta, independentemente dos motivos para a destruição”, escreveu no Twitter Mikhailo Podoliak, conselheiro do presidente ucraniano, Volodmir Zelenski. •
Fonte: O Estado de S. Paulo.

