Por André Mizutani, Arthur Cagliari e Olívia Bulla — De São Paulo
26/05/2022 05h02 Atualizado há 5 horas
A ata da reunião de maio do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) reforçou a sinalização de que o Federal Reserve (Fed) deve elevar a meta de sua taxa de juros de referência nas duas próximas reuniões, de junho e julho, com dois movimentos de 0,5 ponto percentual cada. O Fed elevou os juros em 0,5 ponto percentual na reunião de maio, efetuando a primeira elevação de mais de 0,25 ponto percentual desde 2000.
“A necessidade de continuar elevando as taxas é universalmente reconhecida no Fed, mas os formuladores de políticas estão alertas ao aperto das condições financeiras, e esperamos que um tom menos agressivo surja em junho”, escreveu Ian Shepherdson, economista-chefe da Pantheon Macroeconomics, em nota. Apesar da indicação de dois aumentos de 0,5 ponto nos próximos encontros, o economista diz esperar que os integrantes do Fed deixem na próxima reunião a porta aberta para uma alta de 0,25 ponto em julho.
Os investidores têm se mostrado receosos ao longo das últimas semanas com a desaceleração econômica nos EUA, temendo que um aperto monetário excessivamente rápido possa colocar a economia americana em recessão, mesmo que ele seja necessário para conter a disparada da inflação. Esses temores foram agravados no começo de maio pelos dados do PIB americano, que indicaram uma retração inesperada de 1,4% no primeiro trimestre. Os integrantes do Fed minimizaram a importância do dado, no entanto, de acordo com a ata.
“Após o rápido crescimento no quarto trimestre de 2021, o PIB caiu no primeiro trimestre deste ano […]. Eles ressaltaram, porém, que estes componentes mais voláteis tendem a conter poucos sinais sobre o crescimento subsequente e que os gastos das famílias e os investimentos corporativos permaneceram fortes no primeiro trimestre”, refletindo um fôlego subjacente forte na economia americana, disse a ata.
Em relação a este ponto, a ata destacou também que os acontecimentos associados à invasão da Ucrânia pela Rússia e os lockdowns relacionados à covid-19 na China elevam os riscos “tanto para os Estados Unidos quanto para outras economias ao redor do mundo”, elevando as incertezas não apenas em relação às perspectivas de crescimento econômico global, mas também em torno da disparada da inflação.
O Fed também não deu sinais de que pretende alterar os planos para a redução do amplo balanço de ativos do BC americano. Alguns investidores temiam que a ata trouxesse alguma sinalização de que o Fed pretende passar a liquidar ativamente seu balanço de títulos hipotecários (MBS, na sigla em inglês) e do Tesouro, ao invés de apenas deixar de reinvestir os títulos vincendos, como foi anunciado no começo de maio.
Vários integrantes do Fed chegaram a dizer que seria “apropriado” considerar a possibilidade de vender ativamente títulos hipotecários, ao invés de deixar que o balanço seja reduzido de maneira passiva, mas a ata indica que nenhuma decisão foi tomada em relação a isto e os membros do Fed reiteraram que qualquer mudança de planos seria anunciada com antecedência.
Fonte: Valor Econômico
