A AstraZeneca divulgou resultados positivos de um ensaio clínico para um medicamento contra o câncer de mama que pode interromper a mutação de tumores antes que eles comecem a crescer, apostando que ele fará parte de um portfólio de tratamentos capaz de torná-la líder global em oncologia.
O teste clínico em fase avançada do Camizestrant para casos de câncer de mama em estágio “avançado” apresentado na conferência anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, na sigla em inglês), demonstrou uma redução agregada de 56% no risco de progressão do tumor ou morte do paciente. A AstraZeneca estima que o medicamento poderá gerar vendas anuais de até US$ 5 bilhões em seu pico.
David Fredrickson, vice-presidente-executivo de oncologia da AstraZeneca, disse que o Camizestrant e dois outros medicamentos apresentados na conferência poderão substituir tratamentos existentes para até 75.000 pacientes.
A meta da AstraZeneca é se tornar a empresa “número um em câncer do mundo” em termos de vendas – atualmente ela ocupa o terceiro lugar em algumas regiões – e “eliminar o câncer como causa de mortes”, disse Fredrickson. O grupo farmacêutico já possui nove tratamentos contra o câncer, aprovados para 37 tipos e estágios diferentes da doença.
O estudo com o Camizestrant usou um exame de sangue inovador, conhecido como biópsia líquida, para detectar DNA tumoral e identificar pacientes com alto risco de desenvolver tumores mutantes antes que estes apareçam em exames de imagem. O teste permitiu iniciar o tratamento com o novo medicamento em estágios mais precoces.
“Estamos saindo de uma era de tratamento genérico para uma abordagem capaz de antecipar e neutralizar os mecanismos de resistência do câncer antes que eles se instalem”, disse Fredrickson.
O teste clínico tratou um subgrupo de pacientes com câncer de mama cujos tumores apresentavam receptores específicos. O Camizestrant age impedindo que o estrogênio se ligue às células cancerígenas e, ao mesmo tempo, destrói os receptores hormonais dessas células, tornando mais difícil para o tumor resistir ao tratamento.
Os resultados mostraram que a progressão da doença foi adiada em média por 16 meses nos pacientes que receberam no novo medicamento em combinação com um tratamento já existente, em comparação com 9,2 meses no grupo que recebeu apenas o tratamento atual.
O teste também apontou que o uso do novo medicamento levou a uma melhora mais duradoura na qualidade de vida dos pacientes, em comparação com o padrão atual. Ainda não foram publicados dados completos sobre por quanto tempo o medicamento ajuda as pacientes a sobreviver em comparação com os tratamentos existentes.
O estudo foi liderado por pesquisadores do Institute of Cancer Research de Londres, o Royal Marsden NHS Foundation Trust de Londres e o Institut Curie de Paris.
O professor Kristian Helin, executivo-chefe do Institute of Cancer Research, disse que os resultados são “mais do que um marco clínico, eles representam uma mudança transformadora na forma como abordamos a medicina de precisão”.
Fonte: Valor Econômico