Paulo Nigro ocupou a posição de CEO do Hospital Sírio Libanês por três anos — Foto: Silvia Zamboni/Valor
Após três anos, o engenheiro Paulo Nigro está deixando a presidência executiva do Hospital Sírio-Libanês. O nome do seu substituto ainda está em definição e, neste período de transição, o cardiologista Fernando Ganem, diretor-geral médico do Sírio, vai acumular as funções. No hospital, ambos trabalhavam em conjunto.
Nigro foi o primeiro executivo sem formação médica a liderar o Hospital Sírio-Libanês, cuja receita é da ordem de R$ 3,2 bilhões, e a ideia é trazer outro profissional de mercado para trabalhar em parceria com Ganem.
Antes do hospital, Nigro foi CEO de companhias como Tetra Park, Aché, InterCement e GranBio. Nessa nova fase, vai se dedicar ao conselho de farmacêuticas e de sua própria empresa de alimentos, a Orange Bowl, da qual é um dos sócios. “Estou me aposentando da carreira executiva, vou ficar em conselhos. Também posso vir a prestar consultorias para o Sírio-Libanês em projetos específicos”, disse Nigro, que tem 64 anos. “Vou curtir meus dois netos que moram fora do Brasil”, complementou.
Ganem destaca que a fase de transição até a chegada do novo presidente executivo será tranquila porque o plano estratégico já está em andamento e há um time de executivos experientes tocando os trabalhos.
Nigro chegou ao Sírio num momento em que a instituição de saúde passava por uma forte reestruturação. Na época, o hospital estava perdendo médicos renomados para outros grupos hospitalares, havia disputa política no conselho da sociedade beneficente mantenedora, pressão para profissionalização e modernização.
Além disso, o setor hospitalar sofreu no primeiro ano da pandemia, quando o volume de procedimentos caiu drasticamente. Em 2020, o Sírio teve prejuízo de R$ 119 milhões. Nos anos seguintes, teve lucro na última linha do balanço e, no ano passado, o hospital voltou a ter prejuízo de R$ 23 milhões acompanhando o setor hospitalar, que enfrentou pressão de operadoras de planos de saúde e aumentos de custos médicos.
Nesses últimos três anos, o Sírio-Libanês abriu novas frentes, como a criação de uma faculdade de cursos na área da saúde, um fundo patrimonial para investir em pesquisa, ensino e abertura de unidades ambulatoriais, e ampliação do negócio de gestão de planos de saúde empresariais. A unidade hospitalar de Brasília deve atingir neste ano uma receita de R$ 1 bilhão, alta de 40% sobre 2023.
Fonte: Valor Econômico