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A prévia da inflação de agosto trouxe uma boa notícias para a condução da política monetária. Após várias leituras sinalizando pressão, os serviços mostraram alívio, em um movimento que parecer ter relação com as enchentes no Rio Grande do Sul e também com atividades sensíveis ao mercado de trabalho.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) subiu 0,19% em agosto, após alta de 0,30% em julho. O resultado veio em linha com a mediana das 30 projeções colhidas pelo Valor Data. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 4,35% e, em 2024, de 3,02%.
A gasolina foi a principal influência individual para a alta do IPCA-15 em agosto, com variação de 3,33% e impacto de 0,17 ponto percentual. Entre as classes de despesa, o destaque foi para alimentação e bebidas, cuja deflação alcançou 0,80%.
O chamado Índice de Difusão, que mede a proporção de bens e serviços que tiveram aumento de preços no período, subiu para 53,1% neste mês, vindo de 51,2% na prévia de julho. Já a média dos cinco núcleos do IPCA-15 monitorados pelo Banco Central desacelerou para 0,29% em agosto, vindo de 0,34% em julho, segundo cálculos da MCM Consultores.
“O dado veio acima do que esperávamos, mas o vemos com bons olhos. As surpresas altistas vieram concentradas em itens voláteis e que tiveram deflação menor que o esperado, como alimentação no domicílio e passagens aéreas. Já as aberturas de serviços mostraram surpresa benigna”, comentou o economista da Parcitas Gustavo Maia.
Nos cálculos da Warren Investimentos, a média móvel de três meses dessazonalizada e anualizada da inflação de serviços subjacentes desacelerou de 5,15% na prévia de julho para 4,72% na de agosto. Já o serviços intensivos em mão de obra passaram de 4,94% para 4,43%, na mesma métrica.
“A gente não viu uma descompressão como essa neste ano e era até fácil justificar a tendência, se olharmos o comportamento do Caged e o crescimento dos salários reais. Então o novo dado é uma notícia positiva, ainda que seja cedo para comemorar”, diz Andréa Angelo, estrategista de inflação da corretora.
Ela pondera, no entanto, que o movimento nos preços de serviços contou com ajuda da devolução de altas recentes em itens como seguro de automóvel, que podem ter tido relação com as enchentes no Rio Grande do Sul. Por outro, também foi ajudado pela desaceleração em áreas que costumam mostrar grande volatilidade, como cabeleireiro.
“A despeito do dado cheio um pouco pior, a parte da inflação que gostaríamos de ver cedendo mais, a de serviços intensivos em trabalho, veio abaixo da nossa projeção. Tínhamos 0,40% e veio 0,24%”, disse Rafael Gonçalves Cardoso, economista-chefe do Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Daycoval. “Foi também a menor variação desde novembro do ano passado, então é um refresco, levando em consideração que é a parte que o BC tem dado mais atenção.”
Cardoso chamou atenção ainda para o comportamento dos bens industriais, cujos preços haviam subido mais que o esperado em julho, levantando um alerta sobre o repasse cambial. Na prévia de agosto esse temor arrefeceu, disse, dado que houve variações para ambos os lados, sendo que o principal vetor de alta – o etanol – tem menor sensibilidade ao câmbio.
João Fernandes, economista da Quantitas, também ressalta a boa leitura da inflação de serviços intensivos em mão de obra, que levaram a métrica mensal anualizada de 6,5% em julho para 3% na prévia de agosto. Ainda assim, uma alta da alta da Selic na próxima reunião ainda é o cenário-base, diz.
“Existem outros elementos em jogo que continuam majoritários, como as expectativas de inflação desancoradas e que voltaram a subir, a atividade forte e o comportamento dos preços de bens do câmbio, cuja trajetória ainda é incerta por causa das questões fiscais, de risco-país”, afirmou. A Quantitas projeta elevação de 0,25 ponto na próxima reunião do Copom.
Fonte: Valor Econômico
