9 Feb 2024 NYT, WP e AP
O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, demitiu o comandante das Forças Armadas do país Valeri Zaluzhni, ontem, após semanas de especulação sobre o destino do militar. A saída marca a mudança de liderança mais significativa em Kiev desde o início da guerra, que completa dois anos no dia 22.
Ela ocorre em um momento complicado para Kiev no campo de batalha, com poucos avanços na linha de frente e a possibilidade de uma redução da ajuda econômica e militar do Ocidente. Nos EUA, um pacote econômico está travado no Congresso por conta de divergências entre democratas e republicanos. Uma ajuda anunciada na semana passada pela União Europeia de US$ 54 bilhões ajudará a evitar uma crise financeira no curto prazo.
Zaluzhni liderou a Ucrânia na guerra desde a invasão da Rússia, com ganhos no campo de batalha e também resultados decepcionantes, como a contraofensiva de Kiev, que contou com armamento fornecido pela Otan e soldados treinados pela aliança e não alcançou o sucesso esperado.
Nas últimas semanas, as forças ucranianas têm estado na defensiva, enquanto a Rússia lança fortes ataques ao longo da linha da frente. À medida que a guerra entra em seu terceiro ano, os ucranianos se veem em desvantagem numérica e em armamento. Depois de dominar os combates no primeiro ano e lutar principalmente em um impasse no segundo, eles cederam o ímpeto para a Rússia. Agora, estão se entrincheirando e lutando para se manter vivos.
As equipes de morteiros precisam racionar os projéteis de artilharia. Tropas estão sendo rotacionadas de unidades na retaguarda para se juntarem às unidades de infantaria com poucos efetivos na frente, e há escassez de suprimentos críticos necessários para reparar e manter os veículos blindados da Ucrânia.
Porque os ucranianos estão carentes de munição, por exemplo, eles não podem se dar ao luxo de atirar em apenas um ou dois soldados inimigos avançando, então os russos se adaptaram e muitas vezes se movem em pequenos grupos para suas posições mais avançadas. Eles tentam reunir soldados suficientes para invadir uma trincheira ucraniana e sobrecarregar os defensores.
Embora agora estejam quase exclusivamente envolvidos em operações defensivas, soldados na linha de frente disseram que isso não significa que eles podem simplesmente ficar entrincheirados. Eles estão buscando infligir o máximo de dor possível às forças russas evitando batalhas prolongadas que poderiam resultar em perdas acentuadas para eles próprios. Por enquanto, as forças russas estão alcançando apenas ganhos marginais, apesar de despejarem enormes quantidades de recursos em sua última ofensiva, iniciada em outubro.
Ainda que não esteja claro por quanto tempo Kiev pode sustentar sua defesa se seus aliados ocidentais não continuarem a fornecer um forte apoio militar, suas forças continuam a infligir pesados danos aos russos.
Desde de o início de suas novas operações ofensivas, em outubro, Rússia perdeu 365 tanques de batalha principais e cerca de 700 veículos blindados, “mas só conseguiu pequenos ganhos territoriais”, segundo relatório da agência de inteligência militar britânica divulgado na segunda-feira.
Zelenski publicou uma declaração nas redes sociais agradecendo ao comandante pelos dois anos de defesa da Ucrânia. Os atritos entre o presidente e o general aumentaram desde o início da guerra, em uma rivalidade quase sempre escondida da vista do público em meio a sucessos militares. Zaluzhni será substituído pelo general Oleksandr Syrski, de 58 anos, atual comandante das forças terrestres da Ucrânia.
ENTREVISTA. Na primeira entrevista concedida a um jornalista no Ocidente desde sua invasão à Ucrânia, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que a derrota da Rússia na guerra é “impossível”. “Houve alvoroço sobre infligir uma derrota estratégica à Rússia no campo de batalha. Na minha opinião, é impossível por definição. Nunca vai acontecer”, disse Putin. A entrevista foi concedida ao exâncora da Fox News Tucker Carlson e filmada em Moscou na terça-feira.
Fonte: O Estado de S. Paulo
