Compra do imunizante está sendo negociada pela Organização Pan-Americana de Saúde
Por Murillo Camarotto — De Brasília
27/07/2022 05h00 Atualizado há 6 horas
O governo brasileiro não tem planos de realizar uma vacinação em massa contra a varíola dos macacos, doença que foi declarada no último sábado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como de emergência pública de interesse internacional.
Segundo apurou o Valor, o objetivo atual é disponibilizar vacinas suficientes para os profissionais de saúde. A compra está sendo negociada pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).
O secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, informou que o governo ainda está realizando o levantamento do número de profissionais de saúde que seriam elegíveis para o recebimento das doses da vacina.
“A OMS (Organização Mundial da Saúde) preconiza, a princípio, vacinar os profissionais que trabalham na elaboração dos exames, por terem contato mais próximo com as amostras biológicas, bem como os profissionais da atenção especializadas que cuidarão dos pacientes que forem internados. Estamos fazendo esse levantamento”, afirmou.
O ministério entende que a imunização em massa não está no radar de nenhum país até o momento e que a vacina é produzida por um único laboratório, o Bavarian Nordic, que não teria escala para produzir doses suficientes um grande contingente.
Mesmo se tivesse capacidade, avalia o comando da pasta, a situação ainda não exige uma vacinação em massa. O contágio da varíola tem características bastante diferentes da covid-19, por exemplo, e acontece de forma bem mais lenta e controlável.
O laboratório também não tem qualquer representação no Brasil e, segundo integrantes do ministério, não teria demonstrado interesse em abrir uma filial.
“É mais provável que a estratégia seja mais no sentido de orientar as pessoas sobre como identificar (a doença) e então proceder com o isolamento dos casos suspeitos”, informou um auxiliar do ministro Marcelo Queiroga.
A Comissão Europeia aprovou ontem o uso da vacina Imvanex para controlar a propagação da varíola de macacos no continente. O aval da Agência Europeia de Medicamentos já havia sido dado na última sexta-feira (22).
Os contágios já registrados da doença, que se manifesta com feridas na pele, ultrapassaram a marca de 16 mil no final da semana passada, sendo a maioria das ocorrências na Europa.
No Brasil, o número de casos confirmados passou ontem dos 800. A maioria das pessoas acometidas pela doença, também conhecida como monkeypox, está no Rio de Janeiro e em São Paulo. O Ministério da Saúde informa que monitora esses casos.
Fonte: Valor Econômico