Por Alex Ribeiro, Valor — São Paulo
26/10/2022 20h06 Atualizado há 13 horas
Nada mudou na comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, exceto pelo recado de que os países emergentes devem ficar mais atentos porque os mercados internacionais estão menos tolerantes a eventuais enfraquecimentos dos fundamentos fiscais.
A manutenção da maior parte da comunicação significa que o Copom segue disposto a manter os juros básicos em 13,75% ao ano, como na decisão desta quarta-feira, por um período prolongado de tempo – provavelmente até junho de 2023 – para garantir a queda da inflação para a meta.
Também está de pé o aviso de que, mais do que o final de ciclo de aperto monetário, o Copom fez uma pausa. Ou seja, vai avaliar ao longo do tempo se o cenário básico de queda da inflação para a meta vai se confirmar.
Em tese, o próximo movimento do Copom, quando chegar o momento, poderá ser tanto de alta quanto de baixa dos juros, dependendo de como o cenário inflacionário evoluir.
O cenário básico segue recomendando a manutenção dos juros básicos em 13,75% ao ano. O colegiado projeta uma inflação de 3,2% nos 12 meses até o segundo semestre de 2024, que, hoje, é o horizonte relevante de política monetária, se os juros ficarem em 13,75% até junho de 2023.
Não há uma meta oficial para esse horizonte, mas o Copom trabalha com um objetivo informal de 3,125% para o período, considerando uma média das metas de 2023 (3,25%) e de 2024 (3%).
A inflação projetada está um pouquinho acima da meta, mas o Copom vem insistindo que, num horizonte tão longo, a diferença não é tão grande, dadas as incertezas no cenário.
Para não alimentar nenhuma especulação de cortes de juros mais cedo do que o esperado – ou de alta de juros – o Copom manteve intacto também o balanço de riscos para a inflação. No balanço de riscos, estão listados justamente os fatores que podem fazer a inflação superar ou ficar abaixo do esperado.
Na sua descrição sobre o estado da economia, o Copom diz que a economia cresceu com um ritmo mais moderado. Essa descrição não significa, por si só, que o cenário inflacionário tenha melhorado. O Copom já trabalhava com a perspectiva de desaceleração da economia.
A questão relevante é se a economia se desacelerou mais, ou menos, do que o que estava previsto no cenário básico. O comunicado não esclarece isso.
O único recado realmente novo do Copom, em todo o comunicado, foi dado na descrição do cenário internacional. “O Comitê notou também a maior sensibilidade dos mercados a fundamentos fiscais, inclusive em países avançados”, diz o comunicado.
Essa maior sensibilidade a assuntos fiscais, diz o texto, inspira atenção aumentada dos mercados emergentes, ao lado da piora nas condições de liquidez global provocada pelo aperto monetário das economias avançadas.
O recado é sobre os países desenvolvidos, mas também se aplica para o Brasil. Não é de hoje que o Banco Central vem alertando para os riscos inflacionários pelas incertezas sobre o arcabouço fiscal no futuro governo, a ser eleito no domingo, depois que o teto de gastos foi destruído.
Mais recentemente, os membros do Copom passaram a afirmar que o exemplo da crise no Reino Unido, desencadeada pelo pacote de corte de gastos da ex-primeira-ministra Liz Truss, mostrava que os mercados internacionais estariam menos pacientes com eventual derrapagem do Brasil na área fiscal.
Fonte: Valor Econômico
