Por Alex Ribeiro, Valor — São Paulo
06/03/2023 10h32 Atualizado há 22 horas
Dados divulgados pelo Banco Central mostram que 36% dos analistas econômicos descartam um eventual corte na taxa básica de juros neste ano. O pessimismo sobre a evolução da taxa Selic vem aumentando: há um mês, cerca de 25% dos analistas achavam que os juros não iriam cair.
As informações constam do mapa da distribuição das expectativas de inflação dos analistas econômicos. A expectativa mediana dos especialistas do mercado financeiro é que o primeiro corte de juro possa ocorrer na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC que termina em 1º de novembro.
Segundo essas projeções, a Selic cairia dos atuais 13,75% ao ano para 13,25% ao ano. No encontro seguinte, que ocorre em dezembro, seria feita uma outra redução na taxa Selic, para 12,75% ao ano. A mediana das projeções, que foi divulgada hoje pelo BC em um relatório separado, o boletim Focus, tem data base em 3 de março.
O mapa das frequências, com data base em 28 de fevereiro, dá uma ideia de como as apostas do mercado se distribuem em torno dessa projeção mediana. Há um contingente de 36% de analistas que esperam que a taxa de juros termine este ano em 13,75% ou mais. As estatísticas do BC não discriminam quantos, desse grupo, apostam na Selic parada e quantos apostam em mais aperto de juro.
As projeções dos analistas econômicos para os cortes de juros pioraram a partir de fins do ano passado, com a incerteza fiscal primeiro do governo Bolsonaro e depois do governo Lula, a disseminação de dúvidas sobre a independência do Banco Central e rumores sobre uma eventual mudança das metas de inflação.
Até então, a previsão mediana era que a Selic pudesse começar a baixar a partir de junho, levando a taxa básica para 11,25% ao fim deste ano. Atualmente, apenas 3% dos analistas econômicos esperam que a Selic encerre 2023 em 11,25% ao ano ou menos.
O mapa da distribuição das expectativas de inflação também mostra um quadro preocupante no longo prazo. Um grupo de 22% dos analistas econômicos já prevê uma inflação acima de 4,38% em 2026, até o percentual de 5,38%.
Num prazo tão distante, as expectativas estão isentas dos choques de oferta que atingem atualmente a economia, como os reajustes dos preços dos combustíveis. É um indicador da credibilidade do Banco Central e do regime de metas de inflação.
Muito provavelmente, esse grupo levou em consideração, em suas contas, uma possível mudança na meta de inflação para um percentual de 4% ou 4,5%. Pelo menos uma parte dos analistas, que não foi informada de maneira exata pelo BC no mapa da distribuição das projeções de inflação, considera que o índice de preços vai superar essa hipotética meta.
Fonte: Valor Econômico

