A iniciativa partiu da Amil, segundo fontes. A proposta está na mesa da Dasa, que busca vários caminhos para melhorar sua eficiência operacional e reduzir o endividamento. Nessa conversa, em caráter informal, não houve envolvimento de bancos de investimentos nem de escritórios.
Cada companhia conta com cerca de 12 hospitais, com unidades distribuídas em diferentes regiões do país, com marcas reconhecidas. Entre elas, estão, por exemplo, Nove de Julho, Santa Paula e Leforte, que pertencem à Dasa, enquanto Samaritano e Pró-Cardíaco, à Amil.
Na semana passada, a família Bueno, controladora da Dasa, anunciou aporte de R$ 1,5 bilhão para o caixa da companhia. Essa transação está atrelada a um aumento de capital e venda de um ativo de R$ 2,5 bilhões, no mínimo, até o fim do ano. A companhia está em negociações, segundo fontes, para venda de uma fatia minoritária do negócio de medicina diagnóstica com um grupo estrangeiro que atua no mesmo setor.
Tanto Dasa quanto Amil têm uma série de propostas na mesa vindas de diferentes lados. As duas companhias estão se reestruturando e têm ativos atraentes – o que as torna alvo de um constante interesse. Ontem, o papel de Dasa encerrou o pregão com uma alta de 13,10%, após o Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, divulgar a informação.
A possibilidade de uma combinação dos hospitais de Amil e Dasa acontece num momento de ebulição no setor. No começo do mês, a Rede D’Or e Bradesco Seguros juntaram forças para criar uma empresa de hospitais que abre as portas já no segundo semestre, com três unidades da bandeira São Luiz. Juntos demandaram investimentos de R$ 1,1 bilhão.
Na quarta-feira (22), a rede Oncoclínicas, que vem investindo na construção de “cancer centers” (unidades hospitalares voltadas exclusivamente para tratamento oncológico), anunciou aumento de capital de R$ 1,5 bilhão.
O banco Master fará uma injeção de R$ 1 bilhão e vai financiar outros R$ 500 milhões para o fundador da rede, Bruno Ferrari.
Os recursos serão usados para expansão orgânica e aquisição – essa última frente havia sido interrompida diante do endividamento da companhia. Além disso, o novo dinheiro vai reduzir a alavancagem que, no primeiro trimestre, estava em 3,9 vezes, muito próximo dos “covenants” (limite acordado com credores para endividamento). Com a chegada dos recursos, esse múltiplo cai para cerca de 2,5 vezes. Ontem, a ação da Oncoclínicas disparou na B3, alta de 25,5% para R$ 9,35. O aumento de capital estabeleceu o papel a R$ 13.
O banco de Daniel Vorcaro já tinha 6% da rede de saúde por meio do fundo WNT, que também é o veículo de investimento de Nelson Tanure. O empresário atua no setor por meio da empresa de medicina diagnóstica Alliança (ex-Alliar). Em 2023, Tanure tentou adquirir a Amil.
Essas recentes transações no setor de saúde, anunciadas nos últimos 15 dias, devem impactar o desenho do mercado hospitalar, considerado o mais rentável. Essas operações trouxeram novos investidores, parcerias entre concorrentes capitalizados, venda de ativos e redução de alavancagem – esse último ponto é a pedra no sapato de boa parte dos grupos de saúde, atualmente.
O setor enfrenta uma crise, com as operadoras de convênio médico acumulando prejuízos de R$ 15 bilhões nos últimos dois anos e que está levando a uma pressão em toda a cadeia. Os grupos hospitalares, que promoveram várias aquisições entre 2020 e 2021, estão alavancados devido à alta na taxa de juros e, ao mesmo tempo, pressionados com aumento de prazos de recebimento que ultrapassam os 100 dias e atrasos de pagamentos dos procedimentos médicos realizados. Além disso, há concorrência com empresas verticalizadas donas de planos de saúde e hospitais.
Há uma expectativa de melhora no setor neste ano com a redução de juros e taxa de sinistralidade (percentual de uso do convênio médico) e, consequentemente, um menor reajuste.
Procuradas pela reportagem, Amil e Dasa informaram que não comentam rumores de mercado.
Fonte: Valor Econômico