Alimentação, saúde e transportes foram as três principais pressões para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2024 entre as nove classes de despesas acompanhadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Juntos, responderam por 65% da taxa de 4,83% do IPCA fechado do ano.
Na liderança, a alta de preços do grupo alimentação e bebidas acelerou de 1,03% em 2023 para 7,69% em 2024. Com essa variação, o grupo respondeu por 1,63 ponto percentual dos 4,83% do IPCA, ou 33,7% do total.
O analista do IBGE André Almeida destacou a influência de diferentes fatores climáticos ao longo do ano na expansão dos preços de alimentos, como o El Niño, as enchentes do Rio Grande do Sul e as estiagens em diversas áreas do país.
A classe de saúde e cuidados pessoais teve alta de 6,09% dos preços em 2024, pouco abaixo dos 6,58% de 2023. Isso representou 0,81 ponto percentual do IPCA de 4,83% em 2024, ou 16,77%.
O gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, chamou a atenção para o efeito de medicamentos e de planos de saúde nesse movimento. Produtos farmacêuticos – onde estão os medicamentos – tiveram alta de 5,95% em 2014. Nos planos de saúde, o avanço foi de 7,87%.
Os preços de transportes, por sua vez, subiram 3,30% em 2024, após 7,14% um ano antes. Como é um grupo com peso no orçamento, no entanto, a influência se destaca apesar da alta menos expressiva. Os transportes responderam por 0,69 ponto percentual da taxa de 4,83% do IPCA em 2024, ou 14,28% do total.
“Esse grupo teve alta da gasolina de um lado e queda de passagem aérea do outro, o que ajudou a contrabalançar um pouco a alta geral”, disse Gonçalves.
O preço da gasolina subiu 9,71% e teve impacto de 0,48 ponto percentual no IPCA de 2024. A passagem aérea, por outro lado, caiu 22,20%, com influência de 0,21 ponto percentual negativo no índice.
— Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo
Fonte: Valor Econômico