Por Felipe Laurence, Valor — São Paulo
12/01/2023 11h09 Atualizado há 27 minutos
Não há ainda como mensurar os impactos que as inconsistências contábeis de R$ 20 bilhões terão na Americanas, diz o Goldman Sachs. O banco destaca que a princípio não haverá efeitos no caixa da empresa ou para os credores da companhia.
Os analistas Irma Sgarz, Felipe Rached e Gustavo Fratini escrevem que ao fim do terceiro trimestre a companhia tinha uma dívida bruta de R$ 8,6 bilhões. Já a dívida líquida, utilizada para cálculo de alavancagem e obrigações contratuais (“covenants”), é de R$ 5,3 bilhões.
O Goldman Sachs tem recomendação de venda para Americanas, com preço-alvo em R$ 10, valor 16,7% menor que o fechamento de ontem. As ações ainda não começaram a ser negociadas na B3.
Credores da Americanas (AMER3), bancos veem situação delicada, mas contornável
O rombo de R$ 20 bilhões da Americanas tem por trás dívidas com boa parte dos bancos grandes e médios do país, que financiam as operações da companhia com fornecedores. A reação de fontes do setor às “inconsistências” contábeis anunciadas pela varejista foi, como a do mercado em geral, de surpresa. Ao mesmo tempo, uma primeira avaliação é a de que a empresa conseguirá contornar os problemas.
Para um graduado executivo de um grande banco, a situação é complicada, mas, se não surgirem outros esqueletos, é administrável, já que não se trata de uma dívida nova. Caberá aos acionistas equalizar o descasamento do balanço.
A companhia anunciou na noite desta quarta-feira inconsistências em lançamentos contábeis, referentes aos últimos anos, da ordem de R$ 20 bilhões. O problema se deu na contabilização do financiamento de operações com fornecedores. Nesse tipo de operação, o banco assume as contas a receber e a empresa fica devendo para a instituição financeira e não mais para o fornecedor.
Ainda não está claro quais exatamente os bancos mais expostos às operações que não foram devidamente contabilizadas pela Americanas. Dentro desse universo, também pode haver estruturas e garantias diferentes.
Segundo um interlocutor, a Americanas estava tomando mais dívidas e, ao deixá-las fora do balanço, isso não era perceptível nem mesmo para os credores. “Qual a razão operacional disso, não sabemos”, diz.
Outro ponto que suscita dúvidas diz respeito aos covenants que a Americanas pode estourar ao reconhecer os R$ 20 bilhões dentro do balanço. A varejista é grande emissora de debêntures, e esses papéis costumam ter cláusulas de alavancagem, por exemplo. Porém, depende de como será feito esse lançamento. De acordo com um interlocutor, aparentemente não há um volume grande de dívidas com covenants. Mas essa é apenas mais uma das perguntas que a empresa tem de responder.
Fonte: Valor Econômico

