Biotecnologia é uma ciência totalmente globalizada – para avançar na área, é preciso fazer parcerias
PorWellington Vitorino
A biotecnologia vem tendo papel relevante no desenvolvimento global, impulsionando inovações na saúde, no meio ambiente e na agricultura. A forma como essa indústria tem crescido nos Estados Unidos serve de paradigma para o resto do mundo, além de indicar como países como o Brasil podem (e devem) contribuir para o avanço da área.
Nos EUA, a interação entre diversos polos de inovação permite que a biotecnologia evolua de forma muito integrada, unindo e articulando capacidades científicas, empresariais e governamentais das mais diferentes regiões. A indústria biotecnológica é impulsionada lá por investimentos significativos em pesquisa e desenvolvimento, o que vem resultando na criação de startups promissoras e de instituições científicas de ponta.
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Esse processo é muito bem descrito por Robin Wolfe Scheffler, professor do MIT, autor de um livro importante sobre a história da pesquisa sobre o câncer (“Uma causa contagiosa: a caçada americana pelos vírus causadores de câncer e o surgimento da medicina molecular”, em tradução livre) e que mais recentemente vem se dedicando a entender a formação do complexo industrial biotecnológico. Scheffler é um tipo raro de historiador, que não se debruça sobre guerras, reinados ou crises econômicas, mas sobre temas ligados às ciências naturais.
Recentemente, ele compartilhou suas descobertas no Módulo Internacional do Programa ProLíder, organizado pelo Instituto Four, do qual participou como formador. Suas reflexões ajudam a entender por que a biotecnologia se tornou fenômeno mundial, mas também como o complexo biotecnológico norte-americano depende da colaboração de países com recursos naturais diversos e abundantes.
Desnecessário dizer que essa descrição cai como uma luva para o Brasil. Somos dotados de imenso potencial devido à nossa biodiversidade e aos avanços em setores como agronegócio, farmacêutica e saúde pública. A cooperação entre instituições brasileiras e centros internacionais de pesquisa tem facilitado a transferência de tecnologia e a capacitação de profissionais, fortalecendo o ecossistema nacional de inovação. Programas de intercâmbio e investimentos estrangeiros também têm possibilitado a adoção de novas técnicas, melhorando a produtividade local e impulsionando a criação de startups nacionais que atuam no setor.
O sucesso da biotecnologia se reflete em diversas áreas: no setor farmacêutico, com a produção de medicamentos inovadores adaptados às necessidades locais; na agricultura, com técnicas que aumentam a produtividade da lavoura e permitem uma atividade mais sustentável; na área do meio ambiente, com avanços nas técnicas de conservação da biodiversidade e na recuperação de ecossistemas degradados.
O Brasil não apenas se beneficia da biotecnologia internacional como pode se tornar protagonista no setor. A colaboração entre instituições acadêmicas, startups e grandes empresas tem tudo para consolidar o país como polo de inovação, capaz de exportar conhecimento para outros mercados emergentes.
Quando ouvimos o professor Scheffler, uma coisa fica bem clara: biotecnologia é uma ciência totalmente globalizada. Para avançar na área, é preciso fazer parcerias. O intercâmbio do Brasil com potências como os EUA cria boas oportunidades de negócios para todos – sem contar o principal: impacto positivo concreto para o conjunto da sociedade.
Wellington Vitorino é diretor-executivo do Instituto Four
E-mail: wvitorino@institutofour.org