4 May 2023 RICARDO LEOPOLDO, GABRIEL BUENO DA COSTA e ANDRÉ MARINHO
O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) voltou a elevar ontem os juros no País em 0,25 ponto porcentual, para o intervalo entre 5% e 5,25% ao ano (o mais alto desde 2007), num esforço para levar a inflação para a meta de 2%. O aperto monetário nos EUA teve início em março do ano passado, quando a taxa básica estava em 0,25%.
Em comunicado divulgado após sua reunião, o Fed retirou trecho mencionado no comunicado de março que antecipava aperto adicional nas próximas reuniões, o que foi interpretado no mercado como um sinal de pausa na elevação dos juros. Analistas têm afirmado que o aperto nas condições de crédito após as turbulências no setor bancário devem intensificar o enfraquecimento da atividade econômica no país e, por tabela, esfriar a inflação.
O trecho eliminado dizia que “o comitê (Comitê Federal de Mercado Aberto, ou FOMC, na sigla em inglês) antecipa que algum aperto adicional na política pode ser apropriado a fim de manter uma postura na política monetária suficientemente restritiva para a inflação retornar à meta de 2% com o tempo”. Em substituição, passou a afirmar que, “para determinar a extensão em que aperto político adicional possa ser apropriado para levar a inflação de volta à meta de 2%”, levará em conta “o aperto acumulativo da política monetária”.
Em entrevista coletiva, o presidente do Fed, Jerome Powell, negou que o comunicado antecipe uma pausa no aperto da política monetária, ressaltando que os dirigentes do órgão mantêm o compromisso de levar os índices de preços ao consumidor à meta no médio prazo. Ele também destacou que é importante manter ancoradas as expectativas de inflação.
‘ACUMULAR DADOS’. “As decisões que serão adotadas a cada reunião devem considerar as ações cumulativas da política monetária, defasagens (dessas medidas) à inflação e desdobramentos econômicos e financeiros”, destacou Powell. “É preciso acumular dados para definir o que será realizado (em junho).”
Contudo, ele sinalizou que “talvez não esteja longe” o nível de juros que seria necessário atingir para levar a inflação para uma trajetória confortável de declínio de acordo com a meta perseguida pela instituição oficial. Ele apontou que o FOMC aumentou os juros perto de 5 pontos porcentuais em 14 meses, há o aperto quantitativo em curso e devem ser adicionadas “condições financeiras mais restritivas” que surgiram a partir de março com a recente crise bancária.
Nas Bolsas americanas, o dia foi de queda de negócios. O índice Dow Jones caiu 0,80%, enquanto o S&P 500 e a Nasdaq recuaram, respectivamente, 0,70% e 0,46%.
Ainda assim, investidores mudaram suas apostas para os próximos passos do Fed. Em relatório, a Oxford Economics anunciou a revisão do seu cenário-base. Se antes a consultoria projetava alta de 0,25 ponto também em junho, agora ela espera manutenção da política monetária. Acrescenta que uma pausa em junho daria ao Fed tempo para avaliar como o estresse no sistema bancário pesará na economia. “O Fed está enviando um sinal claro para a próxima reunião.” O banco alemão Commerzbank adotou a mesma conduta.
Fonte: O Estado de S. Paulo
