Por Nikkei Asia, Valor — Washington e Davos
17/01/2023 02h59 Atualizado há 8 horas
A secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, se reunirá com o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, na Suíça, na quarta-feira, para trocar opiniões sobre a evolução econômica e aprofundar a comunicação entre as duas maiores economias do mundo, disse uma autoridade do Tesouro.
O primeiro encontro pessoal de Yellen com Liu faz parte de uma promessa de ambos os países de trabalhar para aliviar as tensões após as conversas do presidente americano, Joe Biden, com o presidente chinês, Xi Jinping, na Indonésia em novembro.
A reunião acontecerá um dia depois de Liu discursar no Fórum Econômico Mundial em Davos, na primeira viagem ao exterior de uma delegação de alto escalão do governo chinês desde que o país desmantelou em dezembro passado sua política de “zero covid”, que durou três anos.
Liu se reunirá com líderes de outros países e membros da comunidade empresarial, incluindo presidentes de empresas de tecnologia, consumo e indústria, como parte de uma viagem destinada a mostrar a disposição da China de se envolver em questões importantes, disse à Reuters uma autoridade chinesa familiarizada com o assunto.
Yellen e Liu também discutirão os desafios globais, como a possibilidade de uma recessão mundial, os riscos correspondentes e como aumentar a cooperação, disse o funcionário.
Yellen se encontrará com Liu em Zurique na véspera de sua visita a três países na África, onde ela se concentrará no fortalecimento dos laços dos Estados Unidos. A África é há muito tempo uma prioridade de comércio e investimento para a China, e também um ponto focal de segurança alimentar.
O ministro das Relações Exteriores da China, Qin Gang, está encerrando a turnê de cinco países da África, o 33º ano consecutivo em que a África foi o destino da primeira viagem ao exterior do ministro das Relações Exteriores da China no ano civil.
Em entrevista à National Public Radio no sábado, Yellen reconheceu que a China desempenhou “um papel de liderança” em empréstimos e comércio com nações africanas, mas disse que os líderes africanos deixaram claro em uma conferência no mês passado em Washington que estão buscando mais engajamento dos Estados Unidos.
“Está claro que eles querem expandir o comércio e o investimento com muitas partes do mundo e veem os Estados Unidos como um parceiro crítico nesse crescimento. E isso é algo importante para nós também”, disse Yellen.
O comércio chinês com a África é cerca de quatro vezes maior do que o dos Estados Unidos. Além disso, Pequim se tornou um credor importante ao oferecer empréstimos mais baratos do que os credores ocidentais, muitas vezes com condições opacas e baixos requisitos de garantia. Mas alguns países africanos, incluindo a Zâmbia, recusaram os empréstimos chineses e estão procurando alternativas, disseram analistas econômicos.
A reunião de Yellen com Liu também deve abordar a questão da dívida e outras diferenças significativas entre as duas nações.
Yellen criticou repetidamente Pequim – agora o maior credor do mundo – por não agir mais rapidamente para reestruturar a dívida dos países pobres da África, e muitas vezes levanta preocupações sobre o trabalho forçado usado na província chinesa de Xinjiang.
Em julho, quando ela falou com Liu por telefone, o Tesouro disse que ela também falou “francamente” sobre o impacto da guerra da Rússia contra a Ucrânia na economia global e as práticas econômicas “injustas e fora do mercado” da China.
Yellen não pretende comparecer ao Fórum Econômico Mundial em Davos. Outros altos funcionários dos Estados Unidos representarão Washington, incluindo a representante comercial dos Estados Unidos, Katherine Tai, e o enviado climático John Kerry.
Yellen se reuniu virtualmente três vezes com Liu desde que assumiu o cargo e se reuniu em Bali, na Indonésia, com o presidente do banco central chinês, Yi Gang. Liu deixará o cargo este ano como parte de uma revisão da liderança econômica da China divulgada em setembro.
Em dezembro, a ex-presidente do Federal Reserve disse a repórteres que também estava aberta a visitar a China e esperava ter “interações mais intensas” com autoridades chinesas do que nos primeiros dois anos do mandato de quatro anos de Biden.
Fonte: Valor Econômico


