Por Augusto Decker, Valor — São Paulo
05/07/2023 14h03 Atualizado há 18 horas
A XP reduziu de 11% para 10,50% sua expectativa para a taxa Selic ao fim de 2024. A projeção para a trajetória da Selic este ano foi mantida: início dos cortes com 0,25 ponto porcentual na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e 0,50 ponto porcentual nas reuniões seguintes, com a taxa a 12% no fim de 2023. A instituição também reduziu de 4,9% para 4,7% a projeção para o IPCA de 2023, e de 4,5% para 4,1% em 2024.
“A melhora da inflação reforça nosso cenário de corte de juros de 0,25 p.p. em agosto e cortes de 0,5 p.p. nas reuniões seguintes”, indica relatório assinado pelo economista-chefe da XP, Caio Megale, pelo economista-chefe para América Latina, Andres Pardo, e equipe. Eles destacam que os resultados correntes mais baixos e a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de manter a meta de inflação em 3% ajudaram a reduzir as expectativas inflacionárias.
O reequilíbrio da economia global após a pandemia da covid-19 e a proximidade do pico das taxas de juros internacionais, com perspectiva de estabilidade para os preços das commodities, também foram lembrados, assim como o fluxo maior para mercados emergentes.
Outra parte da explicação para a melhora nas projeções, de acordo com o relatório, são cenários internos que poderiam ter piorado o cenário, mas acabaram por não acontecer. “As reformas estruturais aprovadas nos últimos anos não foram revogadas. O banco central continua independente”, diz o texto. Segundo a equipe, a política fiscal, principalmente o crédito subsidiado do BNDES, continua limitada.
Mesmo com a melhora nas perspectivas para inflação e Selic, o texto destaca que ainda existem riscos de médio prazo, “sobretudo pelo viés expansionista da política fiscal”. Tais riscos, na visão dos economistas da XP, não devem reverter o clima positivo no curto prazo, mas podem ter efeitos econômicos num horizonte mais longo. “Portanto, tendemos a ser cautelosos com o espaço para queda da inflação e dos juros à frente”, afirma o relatório, que lembra que as projeções para o IPCA de 2024 e para a Selic terminal ainda são superiores ao consenso do mercado.
Fonte: Valor Econômico


