Por Bloomberg
06/03/2023 10h57 Atualizado há 22 horas
A China planeja tomar medidas enérgicas para apoiar o desenvolvimento da manufatura de ponta, disse o presidente Xi Jinping no Congresso Nacional do Povo.
A indústria manufatureira deve ser sempre um pilar de força para a China, disse Xi aos delegados da província de Jiangsu. O país deve garantir sua autossuficiência em tecnologia, fomentar pequenas e médias empresas e construir centros globais de inovação, afirmou Xi, em declarações transmitidas pela estatal CCTV no domingo. Os comentários, também veiculados em uma notícia da agência Xinhua nesta segunda-feira, coincidem com um cenário de transferência acelerada da capacidade de produção da China para países vizinhos como Índia e Vietnã.
Grandes fabricantes de eletrônicos, da Foxconn Technology Group à GoerTek, têm respondido à demanda de seus clientes por uma cadeia de suprimentos diversificada e aberto mais instalações fora da China. Isso sem falar nas sanções comerciais dos EUA à China, que desafiam os planos de crescimento e desenvolvimento da segunda maior economia do mundo. No entanto, o tom de Xi foi firme sobre o papel da China como fábrica mundial.
“Sempre disse que há duas áreas críticas para a China: uma é proteger nossa tigela de arroz e a outra é expandir a manufatura”, disse o presidente chinês. “Como uma grande nação com 1,4 bilhão de pessoas, temos que confiar em nós mesmos para resolver esses dois problemas. Não podemos confiar nos mercados internacionais para nos salvar.”
A Índia tem sido particularmente bem-sucedida em emergir como um país alternativo para fábricas de eletrônicos que montam aparelhos – incluindo os iPhones da Apple – à medida que os governos de Pequim e Washington se distanciam cada vez mais.
A produção da última geração do iPhone chegou muito mais rápido à Índia este ano do que nas iterações anteriores, e as exportações do celular dobraram. A Foxconn planeja uma nova fábrica de US$ 700 milhões na Índia, informou a Bloomberg News na semana passada.
Para garantir sua autossuficiência, a China poderia acelerar a localização da tecnologia de informação e comunicação e incluir novas políticas de apoio ao setor de chips, de acordo com uma nota de analistas do Jefferies, incluindo Edison Lee. Essas medidas podem ocorrer no segundo trimestre deste ano, acrescentaram os analistas.
A campanha do governo Biden para limitar os avanços tecnológicos do governo chinês incluiu novos nomes de gigantes do setor chineses na lista de sanções, de acordo com anúncio na semana passada. Entre eles o fabricante de servidores Inspur Group e a empresa de genética BGI, que agora estão impedidos de acessar certas tecnologias dos EUA. O Inspur tem sido parceiro de grandes companhias tech como a Intel e a Cisco Systems, ajudando-as a ganhar mercado na China.
Autoridades chinesas disseram que a enorme demanda doméstica ajudará a manter a cadeia global de suprimentos de tecnologia centrada no país. Ao abrir o Congresso, o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, prestes a deixar o cargo, pediu uma “estratégia de toda a nação” para alcançar avanços em campos tecnológicos importantes, como semicondutores e maquinário avançado.
Fonte: Valor Econômico
