Combinado é que de 2% a 4% do patrimônio das famílias seja destinado para negócios com viés da responsabilidade social, ambiental e de governança (ESG)
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Com dez anos recém-completados, a Wright Capital busca novas linhas de crescimento, sem deixar para trás a filosofia de engajar clientes para os investimentos de impacto, algo que está no centro de sua estratégia desde o início. O combinado é que de 2% a 4% do patrimônio das famílias seja destinado para negócios com viés da responsabilidade social, ambiental e de governança (ESG).
A chegada do ex-Opportunity Thiago Esteves ao time de “wealth management” e da ex-Falconi Viviane Martins, para a nova vertical de “trust”, é simbólica desta fase que olha para o futuro sem descuidar do legado.
“A gente tinha convicção de que algum dia as famílias viriam pelo alinhamento de valores e de interesses”, diz Fernanda Camargo, sócia-fundadora da gesvtora de fortunas, que iniciou a jornada de empreendorismo ao lado do marido, o advogado Alexandre Lindenbojm.
O primeiro cliente “impactado” por tal abordagem foi Jayme Garfinkel, do grupo PortoCotação de Porto Seguro. Depois vieram outros e tijolo a tijolo a casa chegou a R$ 7,4 bilhões, de 45 famílias.
Até Esteves embarcar no projeto, a equipe tinha praticamente apenas gestores dedicados à alocação de portfólio, no Brasil e no exterior. Faltava alguém para olhar para expansão. O mandato dele prevê não só atrair clientes, mas também talentos.
Esteves iniciou a carreira no mercado financeiro em 2011, no antigo BBM (atual Bocom BBM). Dois anos depois, foi para o Opportunity onde estruturou a área de multifamily office (MFO), cuidando de relacionamento e prospecção de clientes.
“A Wright é uma casa 100% asset allocation, parte da análise macro, e uma vez feito o diagnóstico de cenário, delega aos gestores de recursos”, afirma Esteves, reforçando que para evitar conflito é importante não ter produto próprio.
Com a estrutura atual, Camargo calcula ter capacidade para administrar algo entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões. Mas sem pressa, firme no propósito de que o que a gestora pratica da porta para dentro e para fora não é “abraçar a árvore”, é gestão de patrimônio com responsabilidade. Para a executiva, o movimento “anti-woke”, contrário aos princípios ESG, potencializado pela administração de Donald Trump nos Estados Unidos, vai separar o joio do trigo e evidenciar negócios e investimentos que tenham de fato o olhar para a sustentabilidade.
Os sócios observam os movimentos de consolidação no setor, mas o plano é crescer organicamente, diz Lindenbojm, para evitar choques culturais. Mas algo que os sócios avaliam é estender o serviço de gestão para outros MFO. “Estamos abertos a ser o ‘white label’ de algumas casas, ajudar na gestão se isso não estiver bem resolvido”, afirma. “Há poucas e boas conversas nessa direção.”
Já na Wright Trust o plano é ser o conselheiro societário de poucos empresários. A vinda de Martins como sócia desta vertical foi a oportunidade de prestar esse tipo de serviço de forma mais estruturada. Ela foi-executiva-chefe (CEO) da Falconi Capital, private equity do grupo Falconi, onde passou 25 anos contando o tempo na consultoria.
Lindenbojm vinha assessorando alguns casos de clientes. Auxiliou, por exemplo, a dar um destino para alguns ativos de herdeiros de um empresário que atuava em vários setores e que não pretendiam tocar determinados negócios. “Ajudamos a estabelecer a governança com vista à gestão e participamos ativamente das discussões e da supervisão dos processos de desmobilização junto ao conselho de acionistas”, afirma o executivo. Ele atua há 15 anos como conselheiro do grupo Aché.
Fonte: Valor Econômico