Os índices S&P 500 e Nasdaq novamente bateram seus recordes históricos ontem, impulsionados pelo rali de ações ligadas ao setor de inteligência artificial (IA) generativa. O bom desempenho do mercado de ações em Nova York persistiu mesmo diante de sinalizações conservadoras de dirigentes do Federal Reserve (Fed). As falas provocaram um aumento dos rendimentos dos Treasuries em toda a curva a termo, o que sugere uma postura mais cautelosa na renda fixa americana em meio à possibilidade de o banco central dos Estados Unidos manter os juros altos por mais tempo do que o mercado projeta.
O índice Dow Jones fechou em alta de 0,49%, a 38.778,10 pontos; o S&P 500 subiu 0,77%, a 5.473,23 pontos; e o Nasdaq ganhou 0,95%, a 17.857,02 pontos.
Embora tenha uma visão construtiva quanto ao mercado de ações americano, o CIO do Julius Baer, Yves Bonzon, escreve em sua carta mensal de junho que uma correção de 8% a 12% do S&P 500 seria saudável neste momento, para sustentar a alta do mercado mais à frente. “Correções nessa faixa são a norma e não a exceção em mercados de alta seculares. O índice S&P 500, por exemplo, passou por essas correções de suas máximas históricas durante as tendências de alta primárias uma vez a cada dois anos, em média, desde 1954, às vezes sofrendo até duas quedas em um único ano”, diz ele.
No entanto, as ações ainda não mostram sinais de que vão interromper o rali mesmo diante da postura conservadora de dirigentes do Fed, que reiteram o tom geral do comunicado, das projeções e da entrevista coletiva do presidente Jerome Powell na decisão de política monetária da semana passada.
Neel Kashkari e Patrick Harker, respectivamente presidentes das distritais de Mineápolis e Filadélfia do banco central dos Estados Unidos, afirmaram que a previsão de apenas um corte de juros neste ano é razoável e que, para isso, terão de ver mais progresso da inflação em direção à meta de 2% ao ano.
Com isso, os Treasuries tiveram desempenho contrário ao das ações e sofreram desvalorização, o que elevou os rendimentos. A taxa da T-note de dois anos terminou o dia em alta a 4,774%, de 4,715% no fechamento anterior, enquanto a da T-note de dez anos subiu de 4,228% a 4,285%.
Fonte: Valor Econômico

