A grande procura de investidores por fundos de infraestrutura, que oferecem isenção de Imposto de Renda, garantiu o ritmo forte das emissões de debêntures incentivadas em setembro. Relatório mensal da área de pesquisa do banco ABC Brasil mostra que o volume de ofertas no mês foi o maior do ano, com R$ 66 bilhões, sendo que o total em títulos de infraestrutura quase dobrou de R$ 8,5 bilhões em agosto para R$ 16,3 bilhões.
Segundo Roberto Dumke, chefe da área de pesquisa do ABC, os fundos de infraestrutura captaram R$ 90 bilhões no ano e precisam se enquadrar nos limites determinados pela legislação do setor, que estabelece mínimos alocados em incentivadas. Ele ressalta que foram R$ 127 bilhões emitidos em 2025 nessas debêntures, mas apenas R$ 46 bilhões foram direto para os fundos. O resto ficou com pessoas físicas (R$ 9 bilhões) e coordenadores (R$ 65 bilhões). “Os fundos têm seis meses para ter 67% nesses papéis e dois anos para 85%.”
Ele avalia que muitas operações foram feitas diante da demanda aquecida de fundos e que várias vinham sendo preparadas de olho num possível rali de fim de ano para fugir da tributação de 5% de Imposto de Renda fixada pelo governo em medida provisória enviada ao Congresso. No entanto, como as negociações já dão praticamente como certa a manutenção do incentivo fiscal para pessoas físicas, o ritmo deve voltar ao normal no último trimestre, segundo gestores.
A última sondagem trimestral do ABC Brasil mostra que uma parcela menor de gestores espera até 10% de aumento nas emissões nos próximos três meses – recuo de 37% na última sondagem para 31%, de acordo com Odilon Costa, analista de crédito do banco. E também caiu a fatia dos que previam mais de 10% de avanço na pesquisa anterior, de 25% para 16%. Houve aumento significativo de 16% para 28% da fatia dos que esperam estabilidade.
O resultado da demanda forte é que setembro teve a maior redução de prêmios de risco nas debêntures incentivadas da série histórica da pesquisa de crédito do ABC: 40 pontos-base. Com isso, a mediana dos spreads (diferença entre a taxa paga pelo papel e o título público de referência) caiu de 20 pontos-base abaixo da NTN-B para 59. Já no segmento de debêntures corporativas a mediana dos prêmios de risco subiu de 101 pontos base para 104 acima do CDI.
Em setembro, as negociações no mercado secundário somaram R$ 123,2 bilhões, um recorde. Conforme a pesquisa mensal do ABC, os fundos de crédito privado tiveram captação líquida de R$ 17,3 bilhões no mês e os de infraestrutura, R$ 15,5 bilhões.
Fonte: Valor Econômico