Países da Ásia estão em estado de atenção para o novo surto do vírus Nipah na Índia. O vírus, transmitido por morcegos e porcos infectados, causa inflamação cerebral e tem alta taxa de mortalidade. Até esta terça-feira (27), a imprensa indiana divulgou dois casos positivos confirmados e cerca de 100 pessoas que tiveram contato com os doentes foram colocadas em quarentena.
Os infectados foram um médico e uma enfermeira de um hospital particular em Bengala Ocidental. Outros dois profissionais de saúde envolvidos nos cuidados dos infectados estão sob suspeita. As pessoas colocadas em quarentena estiveram em contato com os infectados durante seus tratamentos, antes da identificação da infecção.
Como parte dos esforços para rastrear a possível origem do vírus Nipah, testes RT-PCR estão sendo realizados em morcegos em várias partes de Bengala Ocidental.
Diante da crise de saúde pública, países próximos já estão em estado de atenção. Tailândia, Taiwan, Hong Kong e Nepal já anunciaram que vão ampliar as medidas de precaução para evitar que o surto se espalhe.
Entenda o que é o Nipah e o risco que ele representa:
O vírus Nipah (NiV) é um vírus transmitido de animais para humanos. Seus hospedeiros naturais são morcegos frugívoros (do gênero Pteropus).
O Nipah não é uma novidade. A doença é documentada desde 1999, quando houve um surto que afetou uma criação de porcos na Malásia e em Cingapura. Na ocasião, mais de 300 pessoas foram infectadas e 100 morreram, de acordo com o publicado pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos. Foi constatado que os porcos da região foram infectados por morcegos.
Ao longo dos anos, o vírus causou outros surtos localizados também em Bangladesh, Índia, Malásia, Filipinas e Singapura. O vírus Nipah foi encontrado em morcegos por toda a Ásia e Oceania.
Segundo o CDC, os surtos de Nipah são frequentes e acontecem quase todos os anos na Ásia, especialmente na Índia e em Bangladesh.
O vírus se espalha, inicialmente, por morcegos do gênero Pteropus, conhecidos como “raposas-voadoras” ou “morcegos amarelos”, por sua pelugem amarela na região no pescoço. Também é possível contrair o vírus pelo contato com outros animais infectados, como porcos. Esses animais vivem especialmente em ilhas costeiras da África, Ásia e Oceania.
O CDC alerta que também é possível contrair o vírus após consumir bebidas ou alimentos que tenham sido contaminados por animais infectados. O consumo da seiva da tamareira, principal alimento desses morcegos, é uma das causas mais comuns de contágio.
A transmissão de humano para humano também é possível pelo contato próximo com fluidos corporais, como saliva, de uma pessoa infectada.
A doença causada pelo vírus Nipah não é simples de identificar, já que os primeiros sintomas não são específicos. A doença pode durar de 3 a 14 dias, dependendo da gravidade, com os primeiros sintomas aparecendo a partir de 4 dias após o contato com o vírus.
Os sintomas mais leves são:
Em casos graves, a infecção pode causar:
As pessoas com esses sintomas podem entrar em coma entre 24 e 48 horas.
Sim, nos casos mais graves. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 40% e 70% dos infectados desenvolve os sintomas mais graves da doença e morrem em decorrência disso. “Essa taxa pode variar de acordo com o surto, dependendo da capacidade local de vigilância epidemiológica e manejo clínico”, diz a OMS.
Não há tratamento específico para a doença causada pelo Nipah. As únicas orientações são cuidados de suporte, como repouso, hidratação e tratamento dos sintomas.
Neste surto identificado na Índia em 2026 não foram divulgadas vítimas fatais até o momento.
Por enquanto, não há relatórios que indiquem que o atual surto de Nipah possa se transformar em uma pandemia, como foi com a Covid-19.
No entanto, a OMS entende que o vírus tem um “potencial epidêmico ou pandêmico considerável”, já que pode se transmitir para humanos a partir de animais selvagens e domésticos e pode causar transmissões secundárias de humano para humano. “A OMS está apoiando os países afetados e em risco com orientações técnicas sobre como gerenciar surtos do vírus Nipah e como prevenir sua ocorrência”, informa a organização.
Fonte: Valor Econômico