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A Via Appia, plataforma de rodovias da Starboard, concluiu nesta segunda-feira (27) a aquisição de concessionárias da AB Concessões, empresa do grupo Bertin e da italiana Mundys (ex-Atlantia). Agora, o grupo passa a focar em outras oportunidades no setor rodoviário – tanto compras de outros ativos, alguns já em negociação, quanto licitações de novas concessões. “Não vamos parar por aqui”, afirmou, ao Valor, Marcus Bittencourt, diretor da Starboard Asset.
O valor da operação com a AB Concessões pode chegar a R$ 3,5 bilhões. Será pago cerca de R$ 1,5 bilhão à vista e o restante deverá ser desembolsado ao longo dos próximos cinco anos, a depender de algumas variáveis, por exemplo, o sucesso na renovação das concessões. Além disso, o grupo incorpora cerca de R$ 1 bilhão em dívidas dos ativos adquiridos. A transação vinha sendo negociada desde dezembro de 2021.
A Via Appia já havia estreado no mercado de rodovias por meio da Parceria Público-Privada (PPP) do Rodoanel Norte, conquistada em leilão do governo paulista no início de 2023. Com a aquisição, a empresa passa a operar também a AB Colinas (que administra 307 km de estradas no interior paulista) e a AB Nascentes das Gerais (concessão de uma estrada em Minas Gerais). A compra também inclui a Soluciona Conservação, empresa de conservação de rodovias, e 50% da Rodovias do Tietê, concessionária paulista em recuperação judicial. No caso desta última, porém, a ideia é concluir a transferência das ações aos credores da concessionária.
Agora, a companhia deverá trabalhar na resolução dos reequilíbrios econômico-financeiros da AB Colinas e da AB Nascente de Gerais, que poderão gerar extensões contratuais, explica Brendon Ramos, presidente da Via Appia. No caso da Colinas, a negociação poderá levar a uma extensão de até 12 anos, para equacionar passivos devidos pelo Estado e possivelmente incluir novos investimentos. “Esperamos que isso seja concluído nos próximos meses, não é algo célere, mas o governo quer discutir”, diz ele.
No caso da Nascentes, em Minas, ainda não está claro se os reequilíbrios serão feitos via reajuste tarifário, prorrogação (que, neste caso, seria menor, de cerca de quatro anos) ou algum outro arranjo junto ao governo mineiro.
A nova plataforma soma quase 1.500 km de rodovias, em São Paulo e em Minas Gerais. A perspectiva é dobrar de tamanho, em termos de quilometragem, nos próximos cinco anos, segundo Ramos. “Vamos olhar leilões e mercado secundário.”
Segundo fontes do mercado, um dos ativos que a Via Appia negocia é a SPMar, concessionária do Bertin responsável pelos trechos Leste e Sul do Rodoanel – e que portanto teria forte sinergia com a companhia. Questionados sobre as conversas, os executivos preferiram não se manifestar.
“Hoje temos no ‘pipeline’ de aquisições de duas a três oportunidades com acordos de confidencialidade assinados. Estávamos focados no fechamento [do acordo com a AB Concessões] e a partir de agora vamos focar em efetivar essas transações. Hoje tem bastante atividade no mercado secundário”, afirma Ramos.
Em relação aos leilões, um dos ativos em análise é a relicitação da ViaOeste, concessão em São Paulo operada pela CCR que está com fim próximo e será dividida em dois novos blocos a serem leiloados pelo governo paulista. Ele diz que a empresa chegou a estudar o Lote Litoral Paulista, mas acabou não entrando devido à complexidade dos investimentos e dos riscos geológicos.
Os recursos para a aquisição da AB Concessões vieram de um fundo de investimentos gerido pela Starboard de R$ 1,5 bilhão, que será praticamente todo alocado na operação. Porém, os executivos afirmam que há alternativas para financiar os próximos investimentos. “A companhia é uma holding e suas controladas vão trabalhar com índices de alavancagem de mercado, ‘project finance’ [estrutura de financiamento com base no fluxo de caixa da operação], dívidas incentivadas. Isso vai ser analisado caso a caso. E aquisições daqui para frente podem ser feitas de forma alavancada ou chamando mais capital do fundo”, afirma Bittencourt.
Eventual atração de novos investidores ou abertura de capital são opções para o futuro, mas Warley Pimentel, fundador da Starboard Asset, destaca que neste momento a prioridade é crescer. “Nos próximos dois, três anos, o foco é criar valor.”
Fonte: Valor Econômico
