Os fatores econômicos por trás do comportamento da moeda americana indicam um balanço menos favorável ao dólar fraco globalmente em 2026 do que foi em 2025, disse Tiago Berriel, estrategista-chefe da BTG Pactual Asset Management e ex-diretor do Banco Central.
Olhando de 2024 para 2025, Berriel lembrou que havia motivos para apostar em um dólar forte, por causa, por exemplo, da perspectiva para as tarifas americanas. “Você aumenta tarifas de importação, o natural, o equilíbrio da economia é que o câmbio compense isso um pouco. E, ao fazer isso, você deveria ter um dólar mais apreciado, não depreciado”, explicou hoje durante evento do BTG, CEO Conference 2026.
Além disso, disse, a economia americana continuava crescendo, atraindo recursos e com uma agenda de investimentos forte, principalmente por causa da Inteligência Artificial.
Outros elementos, no entanto, jogaram contra o dólar, segundo Berriel, como o ajuste de política monetária relativo. “Sabemos que a flexibilização em 2025 nos EUA foi mais forte do que no resto do mundo, na média. Então, é um componente de dólar fraco”, afirmou.
Somam-se a isso fatores como a política fiscal americana, que, relativamente aos anos anteriores, foi mais comedida, o que é outra força contra o dólar, segundo Berriel.
“Claramente, a força de depreciação [do dólar] venceu”, afirmou.
Olhando para 2026, no entanto, Berriel disse que o ajuste relativo de política monetária deve ser bem menor este ano, enquanto a política fiscal americana será mais expansionista. Uma nova rodada de aumento de tarifas nos EUA como foi no início de 2025 não está no horizonte e a economia americana deve continuar crescendo.
“Quando você olha os aspectos econômicos, eu acho que são mais ventos para dólar forte do que dólar fraco”, disse Berriel.
Ele ponderou que as discussões geopolíticas e a visão de necessidade de diversificação de portfólio entre investidores levam para um dólar fraco. “Eu acho que o balanço é menos favorável para o dólar fraco esse ano, principalmente na parte econômica. E, dessa parte política, é muito difícil julgar. Então, a gente tem de ficar de olho nos fluxos e agir com cuidado”, afirmou.
Fonte: Valor Econômico