Quase sete em cada dez empresas entrevistadas em uma pesquisa (68%) já utilizam ou testam soluções de inteligência artificial (IA) em seus processos de recursos humanos. O índice é superior aos 48% identificados no levantamento anterior, feito pela Caju, empresa que oferece soluções para RH, em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC). A pesquisa, divulgada hoje na publicação Goles de Inspiração para o RH 2026, da Caju, foi antecipada ao Valor.
O estudo mostra que as atividades mais impactadas pela adoção da tecnologia são recrutamento e seleção (68,6%), análise de dados (51,4%), comunicação interna (45,7%), treinamento e desenvolvimento (40%) e avaliação de performance (28,6%).
Entre os principais ganhos proporcionados pela IA foram apontados redução de tempo (75,7%), eficiência (68,6%) e experiência do colaborador (38,6%). Em relação à economia de tempo proporcionada pela IA, 55,7% disseram que ela ocorreu na triagem de currículos e pré-seleção de candidatos, 42,9% mencionaram o monitoramento de desempenho e relatórios de métricas e 41,4% citaram o treinamento e sugestões personalizadas de desenvolvimento.
Entre os respondentes que percebem a economia de tempo, 55,7% citaram ganho entre 1 e 3 horas com uso da inteligência artificial, e 25,7% falam entre 4 e 6 horas.
Esse tempo ganho vem sendo redirecionado para inovação e melhoria de processos (60,3%), planejamento estratégico e decisões de negócio (52,9%) e acompanhamento de métricas e análise de dados (41,2%).
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A pesquisa também mostra que 78,6% dos profissionais de RH afirmam utilizar IA por meio de soluções de mercado, como ChatGPT e Gemini. Enquanto 44,3% usam a IA que está embutida em produtos já utilizados pelo RH, 25,7% têm IA desenvolvida internamente e 21,4% trabalham com soluções de empresas de tecnologia, como agentes customizados por fornecedores especializados.
O levantamento também quis entender o nível de maturidade em relação ao uso da IA, e a maioria dos respondentes avalia esse item como baixo e médio.
Lucas Fernandes, CHRO da Caju e coeditor do Goles 2026, comenta que a inteligência artificial já está no recrutamento, na análise de dados e até nas conversas sobre cultura, mas pontua que a verdadeira transformação está em garantir que a inovação amplifique o trabalho e o desenvolvimento das pessoas.
De acordo com o estudo, 41,4% dos respondentes afirmam que o uso de IA trouxe desafios legais ou regulatórios, e 55,3% demonstram preocupação com vieses algorítmicos e discriminação.
Nesse sentido, Paulo Almeida, diretor do Núcleo de Pesquisa em Liderança e Pessoas da Fundação Dom Cabral, comenta que que o futuro do RH passa por líderes capazes de integrar IA, propósito e cuidado.
Um ponto que chama a atenção é que 46,6% dos respondentes afirmaram que a empresa onde trabalham ainda não fez treinamentos para ajudar os funcionários a trabalhar com IA. Entre os participantes da pesquisa, 37,9% não se sentem preparados para usar a tecnologia no RH. Ao mesmo tempo, 47,6% se sentem pressionados para usar a ferramenta.
A pesquisa foi realizada entre 8 e 23 de outubro de 2025 e contou com 103 respondentes, sendo 83,6% na região Sudeste do país e 44,6% profissionais de empresas com mais de mil funcionários.
Fonte: Valor Econômico