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A expansão das canetas emagrecedoras no Brasil deve beneficiar indiretamente vários setores da economia, na esteira da mudança de hábitos de quem utiliza os medicamentos. O SantanderCotação de Santander aponta que as expectativas são positivas para as academias e o varejo de moda, que devem ampliar sua receita com a prática de exercícios e a compra de roupas esportivas, enquanto os possíveis ganhos de autoestima dos pacientes devem impulsionar o consumo de produtos de beleza e maquiagem.
Já para hospitais, laboratórios e supermercados, o efeito deve ser neutro, considerando-se que o portfólio de serviços e produtos dessas companhias é amplo o bastante para manter os consumidores mesmo após os novos hábitos.
O relatório do banco aponta que as vendas de medicamentos análogos ao hormônio GLP-1 neste ano devem somar R$ 11 bilhões, o que representaria alta de 80% no comparativo a 2024. A chefe de análise ESG e relatórios temáticos do SantanderCotação de Santander, Maria Paula Cantusio, afirma que as estimativas refletem a mudança de mercado em países como Estados Unidos, em que esses medicamentos se difundiram antes do Brasil.
“No Brasil, esse tratamento deve ficar restrito a adultos acima do peso das classes A e B, o que representa 10% da população. É um tratamento caro e, mesmo com a queda de patente, a expectativa de queda de preços é de 15% a 30%”, afirma.
Com a inclusão dos produtos no rol de medicamentos cobertos pelo SUS e por planos de saúde privados, o percentual de cobertura na população adulta pode chegar a 48%.
Companhias da indústria de bebidas e alimentos, além de redes de restaurantes fast-food, são os impactados óbvios pelo crescimento do mercado de GLP-1 na América Latina.
É o caso de AmbevCotação de Ambev, à medida em que os usuários das canetas reduzem significativamente o consumo de bebidas alcoólicas e açucaradas — seja pela mudança de hábito ou pelo desconforto gastrointestinal que esses produtos causam.
A M.Dias BrancoCotação de M.Dias Branco também deve sofrer com os menores volumes de vendas de biscoitos e snacks, enquanto a menor frequência em redes de fast-food deve ser um problema para a Arcos Dorados, franqueadora do McDonald’s na América Latina. Enquanto os ultraprocessados perdem espaço na cesta de consumo, os frigoríficos JBS, MBRF e MinervaCotação de Minerva devem ampliar suas vendas com o maior consumo de proteínas.
Essas novas prioridades e práticas, na avaliação do SantanderCotação de Santander, também podem manter várias companhias no zero a zero. As redes de supermercados AssaíCotação de Assaí, GPACotação de GPA e Grupo MateusCotação de Grupo Mateus, por exemplo, devem ter efeito neutro, considerando que vendem tanto ultraprocessados quanto alimentos funcionais e de alto valor nutricional.
“Há uma redução no volume de compras dessas pessoas e isso impacta a receita dos supermercados, mas as proteínas e produtos de hortifruti possuem uma margem maior que demais produtos”, explica Cantusio.
No caso de laboratórios como FleuryCotação de Fleury e Dasa, os usuários de GLP-1 precisam de acompanhamento médico regular, assim como pacientes obesos e com doenças crônicas. Já a receita da controladora de hospitais Rede D’Or pode ser afetada pelo menor volume de cirurgias bariátricas e hospitalizações — por outro lado, quem perde muito peso costuma recorrer a cirurgias plásticas reparadoras para retirada de pele.
O relatório destaca que, com a queda da patente da semaglutida prevista para março de 2026, deve haver mais competição para Ozempic e Wegovy, da farmacêutica Novo Nordisk. Na avaliação dos analistas, a HyperaCotação de Hypera deve estar especialmente bem-posicionada dentre as farmacêuticas brasileiras na disputa pelo mercado da semaglutida.
O SantanderCotação de Santander calcula que a HyperaCotação de Hypera deve alcançar 6% de participação de mercado da molécula em 2028, enquanto o Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia deve crescer cerca de 4% com os novos medicamentos.
O banco também projeta um efeito positivo para o varejo farmacêutico, que já vem citando aumento de vendas e de margens nos resultados trimestrais. A participação de GLP-1 no faturamento das farmácias deve crescer dos atuais 2,9% para 7,2% até 2030.
A RDCotação de RD, controladora das redes Drogasil e Droga Raia, é a principal beneficiada em razão de sua forte capilaridade. A companhia conta com participação de mercado de 16%, em nível nacional, e de 30% no Estado de São Paulo.
Além da venda dos medicamentos em si, as drogarias que possuem um portfólio amplo de produtos de beleza e de cuidados pessoais — como RD e Pague MenosCotação de Pague Menos — podem ter uma oportunidade com o avanço da autoestima dos pacientes. Por essa mesma razão, o SantanderCotação de Santander também indica perspectivas positivas para a NaturaCotação de Natura.
Fonte: Valor Econômico