Companhia quer listagem na B3 para financiar fusão e aquisição no país; plano de internacionalização será ampliado
Por Stella Fontes — De São Paulo
14/03/2024 05h01 Atualizado há 13 horasPresentear matéria
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Dona do maior parque industrial farmacêutico do Brasil, a União Química está pronta para seguir em frente com uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Ao mesmo tempo, quer acelerar seu projeto de internacionalização, com o registro de novos produtos no mercado externo e a construção de sua primeira fábrica fora do país, no Oriente Médio.
Com R$ 3,96 bilhões de receita líquida no ano passado, a farmacêutica pretende listar ações na B3 para financiar seus planos de fusão ou aquisição. “Estamos sempre buscando oportunidades”, disse ao Valor o presidente e dono do grupo União Química, Fernando de Castro Marques.
As demonstrações financeiras já estão adequadas às exigências da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas um passo adiante no mercado de capitais vai depender também das condições externas. Ainda não há um banco contratado para a operação, que poderia ser consumada já em 2024.
“A primeira coisa que estamos olhando é um ativo para incorporação, como foi com a Schering, mas também poderia ser uma fusão. Um IPO faria sentido para isso”, contou o empresário. Um dos principais movimentos da União Química foi a compra da fábrica de produtos hormonais da Bayer (Schering) em São Paulo e de marcas da multinacional, entre as quais Yasmin, Diane e Yaz.
Com a aquisição, concluída em 2022, a farmacêutica brasileira se consolidou na liderança no mercado de contraceptivos orais na América Latina e abriu as portas em 27 países. Um próximo M&A, conforme Marques, fará sentido se houver sinergia e complementaridade de portfólio, como aconteceu com os ativos da Bayer. Dono de 88% do capital total da União Química, o empresário deseja seguir com o controle e à frente da operação caso opte pelo IPO para financiar a transação.
Fora do Brasil, a União Química está em tratativas com um fundo dos Emirados Árabes para construir uma fábrica de medicamentos no Oriente Médio. Uma carta de intenções já foi firmada e 90% do desembolso caberia ao sócio árabe. “Estamos avaliando. É um mercado com um potencial enorme”, explicou. A farmacêutica tem hoje certificação para exportar para mais de 70 países. Em 2023, foram 237 novos registros no exterior, entre medicamentos de uso humano e veterinário.
Marques também é dono da Agener, que não integra o grupo União Química. A Agener opera uma fábrica de saúde animal na Georgia, nos Estados Unidos, comprada da Elanco em 2018. “Tenho olhado outros ativos veterinários fora do Brasil”, contou.
A União Química encerrou 2023 com receita líquida de R$ 3,96 bilhões, 5,5% acima do registrado no ano anterior, na esteira dos 47 lançamentos realizados no Brasil e dos novos registros de produtos fora do país. O lucro bruto subiu 9,8%, a R$ 1,94 bilhão, com margem bruta de 49%, comparável a 47,1% em 2022. O lucro líquido recuou 13,9%, para R$ 316,4 milhões, enquanto o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) teve queda de 1,7%, a R$ 780,1 milhões.
“Foi um ano desafiador, sobretudo no segundo semestre, com toda expectativa em torno da reforma tributária e o consumo mais enfraquecido. O segmento hospitalar foi o que mais sentiu”, disse Marques. Ainda assim, as vendas da empresa medidas pela IQVIA, que audita o mercado farmacêutico, cresceram mais que o mercado: 13,3%, contra 10,3%. A ambição é manter esse ritmo em 2024.
Segundo ele, as vendas da União Química poderiam ter crescido mais no ano passado, mas têm esbarrado nos prazos mais extensos para aprovação e registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Somos licença-dependentes. Já estamos conversando com o governo sobre esse assunto.”
Depois de um ano de desempenho razoável, com as vendas de produtos patenteados de alto custo e do Ozempic, “blockbuster” para perda de peso da Novo Nordisk puxando para cima os números do mercado farmacêutico em geral, o primeiro trimestre tem se mostrado “bem favorável”, indicou.
Líder em oftalmologia e em contraceptivos orais, a União Química atua no mercado veterinário (22% do faturamento), de genéricos e similares (25%), de prescrição (23,5%), hospitalar (18,5%) e de fabricação para terceiros (12%). A companhia produz no país medicamentos para a Novartis, Bayer, GSK e Behringer, entre outras.
No ano passado, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento somaram R$ 242,2 milhões, alta de 10%, representando 6,1% da receita líquida. De acordo com Marques, embora os registros de novos medicamentos demorem a sair no país, a farmacêutica está acelerando o desenvolvimento de novos produtos.
Com nove fábricas no Brasil, a farmacêutica está investindo mais de R$ 200 milhões para ampliação do complexo industrial de Pouso Alegre (MG), com previsão de conclusão ainda em 2024. A unidade de Taboão da Serra (SP) também está em expansão.
Fonte: Valor Econômico