A União Europeia preparou uma lista de produtos americanos que podem ser alvos de suas tarifas caso o ex-presidente dos EUA Donald Trump vença a eleição em seu país e cumpra a ameaça de impor medidas comerciais punitivas contra o bloco econômico.
A possibilidade de novas tarifas contra empresas americanas não é o cenário básico imaginado pela UE e elas só seriam usadas para retaliar eventuais medidas da Casa Branca, segundo fontes a par das deliberações do bloco.
A abordagem preferida da UE seria buscar um acordo com Trump em algumas áreas de interesse comum, como a questão da China, segundo uma das fontes.
Em 2018, Trump surpreendeu a UE ao impor tarifas sobre as exportações europeias de aço e alumínio. Na ocasião, o bloco retaliou com tarifas sobre empresas politicamente sensíveis, como a fabricante de motos Harley-Davidson e a de jeans Levi Strauss. Desde a vitória de Trump em 2016, a UE passou a dispor de várias ferramentas de defesa comercial, entre as quais um instrumento para responder a coerções econômicas.
“Para mim, a palavra mais bonita no dicionário é ‘tarifas’”, disse Trump em entrevista à Bloomberg News nesta terça-feira (15). “É a minha palavra favorita”, acrescentou.
Trump disse que, se for presidente, aplicará tarifas entre 60% a 100% a países como a China, além de uma tarifa geral de 10% sobre as importações provenientes de outras nações. Ele também poderá lançar contramedidas contra os impostos europeus sobre serviços digitais, cujo alvo implícito são as grandes empresas de tecnologia americanas.
“Nossos aliados têm se aproveitado de nós. Mais do que nossos inimigos”, disse Trump. “Nossos aliados são a UE. Temos um déficit comercial de US$ 300 bilhões com a UE.”
A Bloomberg noticiou no início de 2024 que a UE preparava uma análise do impacto das consequências do resultado das eleições de novembro nos EUA, com especial atenção a um cenário de vitória de Trump.
Uma pesquisa da Bloomberg News/Morning Consult, realizada em setembro, mostra diferenças muito pequenas nas intenções de voto para a vice-presidente Kamala Harris e para Trump nas sete principais disputas estaduais com mais chances de decidir a eleição.
Não importa quem vencer a eleição, as relações comerciais com os EUA serão uma prioridade para o bloco. No caso de uma vitória de Kamala, a UE tentará resolver vários dos pontos de atrito não solucionados durante a Presidência de Biden, buscando, por exemplo, um acordo permanente para eliminar as tarifas restantes sobre aço e alumínio, segundo a fonte.
Kamala diz que as propostas de tarifas de Trump equivaleriam a um imposto sobre os consumidores americanos, e críticos têm contestado as afirmações do ex-presidente de que as tarifas poderiam compensar o custo de uma série de cortes de impostos sobre pessoas físicas e jurídicas proposta por ele.
Embora a retórica do presidente Joe Biden tenha sido mais conciliatória que a de Trump, e seu alinhamento com a UE na questão da Ucrânia tenha ajudado a reparar as relações transatlânticas, autoridades da UE ainda estão cientes de que a política comercial de Biden ainda tem muito em comum com a abordagem “EUA em Primeiro Lugar” de seu antecessor.
Os europeus sentiram-se particularmente incomodados com o programa de Biden com subsídios de mais de US$ 390 bilhões em apoio às tecnologias verdes, que oferece às empresas incentivos para transferir investimentos da Europa para os EUA.
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Fonte: Valor Econômico
