Por Laurence Norman, da Dow Jones Newswires — Nova York
08/05/2023 11h16 Atualizado há 22 horas
A União Europeia (UE) está estudando sancionar oito empresas da China que estão com suspeitas de ajudar a Rússia na guerra contra a Ucrânia, segundo diplomatas europeus. O bloco busca atingir empresas que acreditam ter fornecido itens eletrônicos a Moscou, incluindo semicondutores, que podem ser usados para fins militares.
As punições fazem parte do 11º pacote de sanções contra a Rússia. As novas medidas buscam evitar que Moscou tenha acesso a itens tecnológicos que podem ser usados para fins militares.
Das oito empresas chinesas que podem ser punidas, seis são sediadas em Hong Kong e várias já estão em listas de sanções dos EUA, segundo diplomatas.
De acordo com dois diplomatas, as empresas que devem estar na lista de sanções são a 3HC Semiconductors, cujos produtos podem ser usados por empresas russas para fornecer equipamentos militares, e a King-Pai Technology HK de Hong Kong, que foi sancionada pelas autoridades dos EUA em março de 2022 por vender itens “para várias entidades no complexo militar-industrial da Rússia” que podem ser usados para guiar sistemas de mísseis.
Uma terceira empresa, a Sinno Electronics, foi alvo de sanções por Washington por fornecer produtos proibidos pelo ocidente para a empresa russa de tecnologia Radioavtomatika.
A possibilidade das sanções foram relatadas pela primeira vez pelo “Financial Times”. Para entrar em vigor, as punições deverão ser aprovadas pelos 27 Estados-membros da UE. Elas foram apresentadas pela Comissão Europeia, braço executivo do bloco, na noite de sexta-feira, e as discussões devem começar nesta semana.
As sanções contra empresas da China são uma escalada nos esforços da UE para conter a Rússia, já que impõe punição contra um país no qual a Europa tem laços comerciais importantes.
Há meses há evidências de que a China está fornecendo tecnologias essenciais para as forças armadas da Rússia. Até agora, as autoridades europeias disseram não haver evidências de que a China está fornecendo armas diretamente à Rússia.
O novo pacote propõe a criação de um regime de proibições de exportação de certos produtos para países não pertencentes à UE ou empresas que o bloco acredita estarem ajudando a Rússia a contornar as restrições ocidentais.
Desde o início da guerra na Ucrânia, a UE proibiu a venda de produtos no valor de cerca de metade das exportações pré-guerra para a Rússia e proibiu a importação de cerca de dois terços das compras do bloco pré-guerra da Rússia.
No novo pacote de sanções, a UE propõe ampliar as proibições de exportação existentes e colocar cerca de 100 novas pessoas e entidades na lista de sanções.
O bloco também está tentando reforçar a aplicação do teto do preço do petróleo que o Grupo dos Sete (G7) de democracias avançadas impôs à Rússia, uma das medidas que ajudaram a reduzir a contribuição das exportações de energia para a receita do governo russo.
De acordo com a proposta, a UE baniria de seus portos todos os navios que violaram ou são suspeitos de terem violado o teto de preços, ou o limite de preço das exportações de petróleo russo para países terceiros. Também proibiria todas as embarcações que desligarem ilegalmente os sistemas de GPS internos, uma medida que pode ser usada para transferir óleo russo não detectado de um navio para outro no mar.
Fonte: Valor Econômico

