Por Agências Internacionais
31/05/2023 05h02 Atualizado há 3 horas
O acordo para elevar o teto da dívida federal terá apenas um pequeno efeito em esfriar a economia dos EUA ou reduzir a inflação alta, avaliam economistas. Isso porque o limite de gastos previsto no acordo, na prática, vai diminuir muito pouco os gastos do governo, que aumentaram rapidamente desde a pandemia de covid-19.
O acordo que o presidente Joe Biden e o presidente da Câmara dos Deputados, o republicano Kevin McCarthy, firmaram no fim de semana para o aumento do teto da dívida mantém os gastos não militares praticamente estáveis para o ano fiscal de 2024, que começa em outubro, e estabelece um teto de 1% sobre o aumento dos gastos para o ano fiscal de 2025.
Já os gastos militares aumentarão 3% no ano fiscal de 2024. Segundo uma autoridade da Casa Branca, o acordo bipartidário também não deve restringir a capacidade dos EUA de fornecer mais ajuda à Ucrânia na guerra contra a Rússia, afirmou ontem uma autoridade da Casa Branca. Qualquer assistência militar adicional passaria pelo Congresso por meio de uma medida suplementar que não estaria sujeita ao teto de gastos.
Economistas do JP Morgan Chase estimam que o acordo reduzirá os gastos federais em 0,2% do PIB ao ano nos dois anos de vigência, comparado às projeções anteriores. “Se a legislação anunciada for sancionada, a redução implícita dos gastos não parece significativa para a perspectiva macroeconômica”, disse Michael Feroli, economista-chefe do banco.
Se aprovado, o acordo removerá algumas incertezas para uma economia que enfrenta a pressão da inflação alta e do ciclo de aperto monetário do Federal Reserve (Fed, o BC americano).
Apesar das previsões de uma desaceleração mais profunda ou uma recessão, a economia vem se mostrando resiliente neste ano, impulsionada por consumidores dispostos a gastar e empresas ansiosas por contratar. O acordo sobre o teto da dívida pouco contribui para alterar essa perspectiva.
“Não vemos o acordo sobre o teto da dívida como impondo qualquer restrição real de gastos que venha a jogar a economia em uma recessão”, disse Joseph Brusuelas, economista-chefe da RSM US.
Mas há um componente do acordo que pode afetar a economia a partir do quarto trimestre: os pagamentos de empréstimos estudantis e juros, suspensos desde 2020, que serão retomados no fim de agosto. “Isso reduzirá as receitas discricionárias em cerca de US$ 60 bilhões ao ano, o que implicará em uma redução de 0,2 ponto porcentual no crescimento”, disse Andrew Hollenhorst, economista-chefe do Citigroup.
Fonte: Valor Econômico


