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O crescimento das apostas em torno de uma vitória do candidato republicano Donald Trump e seu avanço em pesquisas geraram uma nova rodada de reprecificação nos rendimentos dos Treasuries, os títulos do Tesouro americano, na sessão de ontem, com reflexos em outros mercados. A taxa da T-note de dois anos voltou a superar os 4% após 15 dias, ao bater 4,042%, de 3,965% no fechamento anterior. A do papel de dez anos subiu de 4,082% para 4,206%.
A alta nas taxas dos Treasuries impediu um dia mais positivo nas bolsas americanas. O Nasdaq foi o único a fechar no azul, com alta de 0,10%. Já o Dow Jones caiu 0,80% e o S&P 500 recuou 0,18%.
Um novo governo Trump é visto como mais inflacionário diante da potencial imposição de tarifas comerciais elevadas sobre importações dos EUA, do corte de impostos e de uma ofensiva contra a imigração. Se implementadas, tais políticas podem elevar os preços de itens importados, aumentar o déficit fiscal e deixar o mercado de trabalho ainda mais apertado, o que poderia levar o Federal Reserve (Fed) a um ciclo de corte de juros mais lento ou mais curto do que o esperado.
As projeções do mercado de cortes de 0,25 ponto nas reuniões do Fed até janeiro continuam majoritárias, mas perderam um pouco de força. A probabilidade de um corte dessa magnitude em novembro caiu de 90,4% na sexta-feira para 87% ontem; para a reunião de dezembro, recuou de 76,8% para 65,3% e para a de janeiro, de 55,8% para 44,7%, segundo o CME Group.
Para o economista-chefe do AXA Group, Gilles Moec, os mercados e os dirigentes do Fed esperam cortes até 2025. “Mas, se Donald Trump vencer a eleição e cumprir suas promessas de campanha fiscal expansiva, o Fed pode ser forçado a manter as taxas de juros mais altas do que as previstas agora para resistir às pressões inflacionárias resultantes”, disse, em entrevista ao “The Wall Street Jornal”.
A sessão também foi de dólar mais forte globalmente. O índice DXY – que mede a relação entre o dólar e uma cesta de moedas – subiu 0,46%. Na contramão do movimento observado lá fora, o dólar à vista e os juros futuros encerraram o dia em queda no Brasil. A divisa americana recuou 0,14%, aos R$ 5,6903. Já a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2029 teve queda de 12,97% para 12,88%; e a do DI de janeiro de 2031 recuou de 12,93% para 12,86%. O Ibovespa, por sua vez, teve um dia foi de forte oscilação: sem o suporte das ações de blue chips, com destaque para Vale e Petrobras, sob pressão na sessão, o índice encerrou em queda de 0,11%, aos 130.362 pontos.
Falas do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, podem ter ajudado a aliviar a percepção de risco fiscal, o que fez com que o real se descolasse do exterior e apresentasse o melhor desempenho das 33 moedas acompanhadas pelo Valor.
Em evento, Campos Neto disse que um “choque” na política fiscal do governo é necessário para que o BC possa adotar juros mais baixos de forma duradoura. Disse ainda que medidas nesse sentido podem vir após as eleições municipais.
“Isso é muito importante para nós, no Banco Central, para que possamos reduzir os juros de maneira sustentável. Porque nossa missão é entregar a meta de inflação e é muito difícil fazer isso quando não há perspectiva de que o fiscal está ancorado”, afirmou.
Para o diretor de investimentos da Azimut Brasil, Leonardo Monoli, há uma dificuldade do governo em apresentar projetos que sustentem a responsabilidade fiscal. “Temos visto com recorrência a busca por artifícios contábeis que disfarçam tentativas de desvio de regra”, afirma. “Com isso, a mensagem que fica é que o tempo todo está sendo manobrado despesas para se criar espaço de Orçamento e continuar gastando, enquanto ‘cortes na carne’ não estão ocorrendo.”
Fonte: Valor Econômico
