Por Estevão Taiar, Valor — Brasília
05/07/2023 15h13 · Atualizado
A desaceleração da atividade econômica no Brasil deve, ao lado de outros fatores, fazer o Banco Central (BC) acelerar “o ritmo de cortes da Selic” para 0,75 ponto percentual nas duas últimas reuniões do ano. Com isso, a taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano, terminará 2023 em 11,5%, sempre em termos anuais. O cenário faz parte de relatório da SulAmérica Investimentos divulgado nesta quarta-feira para o Valor.
Anteriormente, a projeção era de Selic em 12,25% no fim de 2023.
Nos cálculos da economista-chefe da SulAmérica, Natalie Victal, o Comitê de Política Monetária (Copom) realizará em agosto um primeiro corte de 0,25 ponto percentual.
Entre os fatores para o corte menor do que o precificado pelo maior parte do mercado (0,5 ponto percentual), ela cita: o “uso de termos como ‘parcimônia’ na comunicação oficial”; a existência de “uma ala mais cautelosa” no Copom; a continuidade do “patamar ainda elevado da inflação de serviços” e, em um primeiro momento, da “resiliência da atividade econômica”. Assim, um corte de 0,5 ponto percentual dependeria, por exemplo, da queda das expectativas de inflação para um patamar inferior a 3,5%, especialmente entre 2025 e 2027.
Ainda assim, o “comportamento mais moderado da atividade econômica” e a “preferência revelada” pela maioria do Copom de iniciar o ciclo em agosto deve fazer com que o BC acelere o ritmo de cortes no fim do ano.
Segundo ela, o último ponto é “especialmente relevante”. Isso porque sinaliza que as projeções de inflação do próprio BC e o balanço de riscos da autoridade monetária “terão especial relevância” nas decisões, superando a importância das projeções de mercado.
Nesse cenário, o Copom realizaria um corte intermediário de 0,5 ponto percentual na reunião de setembro.
A economista vai além e afirma que “novas quedas nas expectativas de inflação” ou a “desaceleração mais forte da atividade econômica” abririam “espaço para debate de cortes ainda maiores” da Selic. A SulAmérica calcula alta de 1,9% para o Produto Interno Bruto (PIB) para este ano.
Ela faz a ressalva, “no entanto, que o cenário atual é especialmente volátil” e demanda “contínua avaliação dos diferentes fatores de risco”.
“A continuidade de um mercado de trabalho aquecido no Brasil e a perspectiva de uma política monetária ainda mais contracionista dos países desenvolvidos advogam por cautela”, diz, afirmando que o cenário principal é “de um panorama especialmente complexo da inflação nos Estados Unidos”. Nesse sentido, a SulAmérica não descarta que o Federal Reserve, o banco central americano, “revise novamente sua projeção para a taxa de juros terminal para patamares ainda mais elevados que o atual”.
A economista ainda afirma que “para 2024 continuamos projetando Selic terminal de 9%”. A revisão foi apenas para “a velocidade em que a autoridade monetária” chegará nesse patamar.
Fonte: Valor Econômico


