Por Adriana Cotias — De São Paulo
11/07/2023 05h02 Atualizado há 4 horas
O fundo Verde fechou o primeiro semestre com valorização de 4,93%, abaixo dos 6,5% do CDI no período, embora junho tenha apresentado um resultado expressivo, com ganhos de 1,62%, ante 1,07% do referencial de mercado.
No mês passado, o multimercado liderado por Luis Stuhlberger ganhou com posições em ações no Brasil, com juros nos Estados Unidos e na Europa, com os ativos de crédito e com inflação implícita americana. As perdas vieram do hedge com inflação implícita no Brasil, de posicionamento em commodities, especialmente o ouro, bolsa global e juros no Japão.
Segundo a carta mensal da Verde Asset, o placar ao fim do semestre não poderia ser mais contrário às expectativas no início do ano – “Mercado 1 x Consenso 0”, em que a maioria dos gestores, analistas e economistas esperava uma recessão global, com má performance para os ativos de risco. O S&P 500 se valorizou 15,9%, o Nasdaq ganhou 38,8%, o Eurostoxx subiu 16%, e o índice Nikkei, 27,2%.
Lucratividade das empresas tem se mostrado melhor do que o temido, com bom controle de custos, diz asset
“Se voltássemos no tempo e descrevêssemos esses resultados para uma plateia incrédula, a aposta geral seria que tal performance veio por conta de quedas generalizadas das taxas de juros. Errado de novo, isto simplesmente não ocorreu.”
Para os gestores, alguns fatores explicam a exuberância dos mercados acionários. A lucratividade das empresas tem se mostrado “melhor do que o temido”, com um bom controle de custos e a resiliência do consumo. Logo, a economia americana se mostrou mais robusta do que se imaginava, enquanto a pressão de custos de energia e do mercado de trabalho tem arrefecido. Outro ponto é o posicionamento relativamente leve dos investidores.
Não menos importante, prossegue a Verde, foi o tema da inteligência artificial, que catalisou um otimismo importante em algumas das maiores empresas americanas, “empurrando os múltiplos para cima”.
Historicamente, tais movimentos costumam ser interrompidos ou porque o juro real alcança certo nível que torna o mercado frágil ou porque os fundamentos econômicos e de lucratividade das empresas “contradizem fortemente” o que está nos preços, como se viu em 2017, 1987 e 2001, alerta a Verde. “Nossa suspeita é que taxas de juro reais de mais de 2% nos EUA representam um nível suficientemente apertado para atrapalhar a performance dos ativos de risco, dados os preços atuais.”
Nessa toada, o mercado acionário brasileiro também performou bem, com alta de 9% para o Ibovespa em junho, o melhor mês desde novembro de 2020. “Os sinais continuam apontando para um início de ciclo de corte de juros em agosto, com inflação cadente, reduzido nível de ruído político, e manutenção da meta de inflação em 3% para 2026”, continua o time de gestão.
“Começamos a ver sinais muito incipientes de mudança de comportamento dos investidores na direção de ativos de maior risco, e acreditamos que à medida que o juro cair tal fenômeno deve se intensificar. Ao mesmo tempo, o mercado de capitais – tanto em ações quanto em dívida – reabriu de maneira importante, trazendo oportunidades interessantes de alocação.”
O Verde voltou a ter pequena exposição vendida em bolsa global, além de continuar com relevante alocação no mercado brasileiro. A parcela comprada em inflação implícita no Brasil foi mantida. A gestão manteve ainda a posição em ouro, bem como a fatia em petróleo.
Fonte: Valor Econômico


