Projetos e startups devem receber R$ 200 milhões em 8 anos
Por Beth Koike — De São Paulo
30/11/2022 05h01 Atualizado
1 de 1 Paulo Nigro, CEO do Hospital Sírio-Libanês, prevê fechar 2022 com superávit e faturamento em torno de R$ 2,8 bi — Foto: Silvia Zamboni/Valor
Paulo Nigro, CEO do Hospital Sírio-Libanês, prevê fechar 2022 com superávit e faturamento em torno de R$ 2,8 bi — Foto: Silvia Zamboni/Valor
O Hospital Sírio-Libanês planeja investir R$ 200 milhões num novo braço de negócios que abarca projetos digitais. Os recursos serão aplicados nos próximos oito anos e envolvem, por exemplo, investimentos em startups de saúde que poderão usar a estrutura e o banco de dados do hospital. “Esse é um recurso adicional ao que já investimos em tecnologia, que é da ordem de R$ 100 milhões, por ano”, disse Paulo Nigro, CEO do Hospital Sírio-Libanês.
- LEIA MAIS:
- Dasa confirma possível aumento de capital para entrada de novos investidores
- Cade aprova recursos contra fusão de Rede D’Or e SulAmérica
Segundo Nigro, os recursos serão provenientes do caixa do hospital, linhas de crédito e doações. Sua expectativa é que o Sírio encerre o ano com uma receita semelhante a do ano passado e com superávit. Em 2021, o hospital teve déficit de R$ 25 milhões e o faturamento somou R$ 2,8 bilhões. “Mesmo com a inflação de materiais e medicamentos na casa dos 30% vamos conseguir ter esses resultados”, disse o executivo, que assumiu como CEO há um ano.
Batizada de Alma Sírio-Libanês, a nova área de negócios digitais pretende incubar quatro startups em estágio inicial de operações, por ano, que poderão ficar imersas e usar a estrutura do hospital por 90 dias. “Vamos levar as nossas dores para as healthtechs [startup de saúde] desenvolverem projetos”, disse Diego Aristides, diretor de tecnologia do Sírio-Libanês.
Além disso, o público interno, formado por funcionários e médicos, será incentivado a empreender projetos de inovação, uma vez que está no dia a dia do hospital e pode trazer alternativas para atender demandas reais da instituição e de pacientes.
Nigro destacou ainda a importância da inovação para a utilização de dados, seja para apoiar os médicos na tomada de decisões quanto para ajudar na construção de um banco com informações sobre saúde populacional. No Brasil, esse tipo de dado ainda é escasso.
Entre 2019 e 2021, o número de “healthtechs” cresceu 16%, para 596 empresas, com faturamento acumulado no período de R$ 1,8 bilhão, segundo dados das consultorias PWC e Liga Ventures. Já um levantamento da Distrito, consultoria de inovação, mostra que as startups brasileiras de saúde receberam, no ano passado, investimentos de US$ 530 milhões, o que representa cerca de três vezes mais do que o volume registrado 2020. “Esse é um movimento que não pode passar despercebido por uma instituição como a nossa, temos que estar conectados a essa realidade”, disse o CEO do Sírio.
Já há outros grupos de saúde mais avançados no tema. Entre eles estão a Dasa, que apoia a Brain4Care, startup que criou uma ferramenta de monitoramento de pressão intracraniana, e o Hospital Albert Einstein, a primeira instituição a ter uma incubadora de healthtechs, a eretz.bio, há cerca de cinco anos. Atualmente, o Einstein tem em andamento um projeto com orçamento anual de R$ 100 milhões para apoiar startups no desenvolvimento de vacinas e medicamentos.
Fonte: Valor Econômico
