Desenvolvimento de novos produtos atende diversos públicos, do infantil até os que sofrem com aumento progressivo da miopia na população
Por Lourdes Rodrigues
30/06/2023 05h10 Atualizado há 7 horas
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Sinkoc, da Abióptica: crescimento de 9,8% no primeiro trimestre — Foto: Ivan Almeida/Divulgação
Com 40 milhões de pessoas que precisam de correção visual, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o mercado brasileiro tem papel de destaque no setor óptico, que fechou 2022 com crescimento de 11,17% em relação ao ano anterior e faturamento superior a R$ 24 bilhões no ponto de venda (PDV).
No primeiro trimestre de 2023, o crescimento foi 9,8% maior que o registrado em igual período do ano passado, com faturamento de R$ 6,7 bilhões. “Como a economia brasileira não traz bons sinais para o segundo semestre, estamos mais conservadores em relação ao desempenho do setor em 2023 e projetamos crescimento de 10,7%”, diz Ambra Nobre Sinkoc, diretora-executiva da Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abióptica), que representa 95% das marcas e grifes de lentes de contato e oftálmicas e de equipamentos ópticos comercializadas no país.
Para Hugo Mota, presidente da Rodenstock Brasil, empresa do grupo alemão Rodenstock, fabricante de lentes de alta qualidade, apesar das dificuldades do cenário econômico, o mercado brasileiro apresenta um potencial considerável de crescimento.
Em 2022, a empresa aumentou em 12% o volume de vendas de lentes e em 18% o faturamento em relação ao ano anterior. Embora projete avanço menor para 2023 – crescimento de 10% em volume de vendas e 15% em faturamento –, Mota vê boas oportunidades pela frente. A tendência mundial parece lhe dar razão. Com a pandemia da covid 19 e o maior uso de mídias sociais em smartphones e computadores, aumentou a incidência de presbiopia (vista cansada) e de miopia, inclusive entre as crianças. Em 2020, mais de um terço da população mundial já era míope, e a OMS estima que até 2050 metade da população mundial seja míope.
A Bausch+Lomb, do grupo americano Bausch Health, também comemora o desempenho em 2022. “Superamos nosso plano em mais de 10%, com um crescimento de duplo dígito. A Bausch no mundo cresceu 8%, e nós, na América Latina, crescemos acima de 25%, resultado puxado pelo desempenho brasileiro”, diz Carlos Alberto Andrade, diretor-geral da Bausch+Lomb no Brasil e diretor para a América Latina para Vision Care.
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Mendes, da Alcon: mais eficiência na cirurgia de catarata — Foto: Divulgação
Segundo Andrade, o mercado continua aquecido para a empresa. Ele justifica o otimismo pelos sinais positivos da economia, “embora em um compasso inferior ao que esperávamos, mas ainda assim ajudando o segmento”. Para crescer, a Bausch+Lomb investe em inovações em lentes de contato de uso diário, medicamentos para tratamento do glaucoma, lentes intraoculares para tratamento de catarata e equipamentos cirúrgicos e de diagnóstico.
Para a suíça-americana Alcon, 2022 foi um ano bastante positivo, com crescimento global de 11% em comparação a 2021 e movimento de U$ 8,6 bilhões. O primeiro trimestre de 2023 registrou aumento de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior, com vendas no valor de US$ 2,3 bilhões. “Contamos com importantes lançamentos para este ano e, apesar dos desafios no cenário mais amplo, projetamos crescer de 7% a 9% , sem considerar variações cambiais”, diz Fabio Almeida, head da área de negócios cirúrgica e country manager da Alcon Brasil.
Inovação também é uma estratégia para a Alcon, que investe, mundialmente, de 7% a 9% do seu faturamento em P&D. Na área cirúrgica, um dos lançamentos deste ano é o Argos, um biômetro de tomografia que mede os parâmetros oculares únicos de cada paciente, tornando os resultados da cirurgia de catarata mais eficientes. De acordo com António Mendes, head da divisão vision care do Brasil, em sua área os lançamentos são de colírios para olhos secos e irritados.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refratometria (Soblec), em 2023, houve um aumento no número de usuários de lentes de contato no Brasil, que passou de 3 milhões para 3,7 milhões, ou seja, mais de 1,5% da população já utiliza o produto e 6% são de usuários em potencial. A expectativa de crescimento do mercado brasileiro é de 2,5% nos próximos cinco anos.
No ano fiscal de 2022, a norte-americana Coopervision teve no país avanço de 38%, em comparação ao ano fiscal de 2021. “Houve um aumento de 78% nas vendas das lentes de descarte diário, seguindo uma tendência mundial”, diz Gerson Cespi, diretor-geral da CooperVision no Brasil.
Segundo ele, essas lentes trazem mais praticidade para o dia a dia do usuário e ajudam na manutenção da saúde ocular, uma vez que não há necessidade de higienizá-las e a pessoa usa uma lente nova a cada dia. Outro destaque, diz, foram as vendas de lentes tóricas, que corrigem o astigmatismo e com as quais a CooperVision é líder mundial, com crescimento de 47% nas vendas em 2022, em comparação a 2021. Para 2023, a expectativa de crescimento é de 20%, afirma.
Entre os lançamentos, Cespi destaca as lentes de contato MiSight 1 day, que, além de corrigirem, controlam a progressão da miopia em crianças e jovens. “A CooperVision é a única empresa no mundo que oferece tratamento para a miopia infantil por meio de lentes de contato”, diz Cespi.
Fundada em 1992, no Maranhão, a rede Óticas Diniz está presente em todos os Estados do país e no Distrito Federal, totalizando mais de 400 cidades e 1.206 unidades. Segundo Ariane Diniz, presidente da rede, a empresa cresceu dois dígitos em 2022, na comparação com o ano anterior. “Para 2023 projetamos abrir mais cem lojas e a ABF Expo 2023 – feira de franquias que acontece em São Paulo – é uma grande oportunidade para que essa meta se concretize”, afirma.
A executiva diz que o investimento em capacitação dos colaboradores e diretores franqueados, na própria Universidade Diniz, tem como resultado um atendimento elogiado e premiado, além do fortalecimento da cultura Diniz. “Outro fator é o investimento em marketing e expansão da rede, o que garante uma marca forte em todos os cantos do país.”
Fonte: Valor Econômico