O laboratório farmacêutico suíço pretende desmembrar sua unidade de genéricos e investir em medicamentos com margens maiores
Por Donato Paolo Mancini e Oliver Telling — Financial Times, de Londres e Cingapura
26/08/2022 05h01 Atualizado há 3 dias
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Vas Narasimhan, executivo-chefe da Novartis: “Continuo acreditando que muitas partes (investidores) externas estarão altamente interessadas nesta unidade.” — Foto: Jason Alden/Bloomberg
O laboratório farmacêutico suíço Novartis pretende desmembrar a Sandoz, sua unidade de medicamentos genéricos, após ter feito uma longa análise da divisão, que desperta o interesse de firmas de private equity e é alvo até de pedidos de políticos para que seja estatizada.
A cisão da Sandoz criaria a maior fabricante de remédios genéricos da Europa, em vendas, segundo informou a Novartis nesta quinta-feira (25), ao apresentar um de seus planos mais significativos até hoje para passar a dedicar-se mais a remédios de alto crescimento e altas margens de lucro.
A medida é uma das mais ousadas já anunciadas pelo executivo-chefe da Novartis, Vas Narasimhan, para reorientar o foco da empresa aos medicamentos mais lucrativos, que incluem os voltados ao tratamento de câncer e de doenças raras. Em 2019, a empresa já havia se separado da unidade de oftalmologia Alcon.
Narasimhan disse que é “melhor separá-las [Sandoz e Novartis] de maneira limpa e eficiente”.
Embora as empresas de private equity tenham demonstrado interesse no negócio, ainda não foi apresentada nenhuma oferta convincente, segundo fontes a par assunto. Narasimhan, que comanda o grupo desde 2018, ressaltou que a empresa não recebeu nenhuma oferta formal.
Analistas do Citigroup disseram que, em vista da separação da Alcon, da deterioração das condições nos mercados financeiros e da intensificação das pressões sobre os preços dos medicamentos genéricos, “uma cisão parece ser o único caminho viável para separar a Sandoz há algum tempo”.
Fundada pela família Sandoz, a empresa se fundiu com a Ciba-Geigy para criar a Novartis em 1996. Os medicamentos fabricados pela Sandoz, que emprega cerca de 20 mil pessoas e gera quase US$ 10 bilhões em vendas anuais, são praticamente um artigo básico nos armários de remédios das casas na Alemanha, Áustria e Suíça.
A Novartis já havia tentado transferir partes da Sandoz para a indiana Aurobindo em 2020, mas preocupações das autoridades reguladoras da concorrência nos Estados Unidos derrubaram o negócio de quase US$ 1 bilhão em 2020. Narasimhan disse na quinta-feira que o setor de genéricos é “um mercado altamente atraente”.
“Vamos avaliar, já que agora temos as contas completas disponíveis, o que qualquer uma das empresas externas poderia achar da unidade”, disse. “Para ser claro, continuo acreditando que muitas partes (investidores) externas estarão altamente interessadas nesta unidade.”
A Novartis estima que a transação poderia ser concluída no segundo semestre do de 2023. A empresa acrescentou que negócio seria “basicamente neutro em termos de impostos” e exigiria a aprovação dos acionistas.
Fonte: Valor Econômico