18 Mar 2024
Se completar quinto mandato, de 6 anos, Putin será líder russo mais longevo desde Catarina, no século 18. Votação ocorreu com oposição e imprensa independente sufocadas.
Sem surpresas, Vladimir Putin recebeu ontem o seu quinto mandato para mais seis anos como presidente da Rússia, se encaminhando para se tornar o líder mais longevo desde Catarina, a Grande, no final do século 18 – ao final do atual mandato, ele terá ficado 30 anos no poder. Putin não enfrentava adversários reais depois de esmagar a dissidência política durante seu governo.
Segundo a comissão eleitoral, que é controlada pelo Kremlin, Putin recebeu 87,3% dos votos em uma eleição cuja participação é divulgada como tendo sido acima de 74%, o que seria um recorde.
Os demais adversários teriam recebido menos de 5% dos votos. O líder concorria com outros três nomes, todos seus apoiadores: o comunista Nikolai Kharitonov, o vicepresidente do parlamento Vladislav Davankov e o nacionalista Leonid Slutski.
O resultado superou o recorde anterior das eleições de 2018, dado que o Kremlin vai utilizar para retratar Putin como tendo obtido um retumbante apoio público em meio à sua invasão da Ucrânia.
Em um discurso televisionado depois da meia-noite do horário local (18 horas de Brasília), Putin agradeceu aos eleitores e disse que sua vitória faz da Rússia mais forte. Quando foi questionado sobre as prioridades de seu próximo mandato, ele falou em fortalecer o Exército e resolver a “operação especial na Ucrânia”, termo para se referir à guerra.
Demonstração de apoio Autoridades reportaram participação recorde e Kremlin vai usar dado para retratar apoio a Putin
A votação começou na sexta-feira e terminou ontem em todos territórios da federação e em regiões anexadas durante a guerra contra a Ucrânia.
A reeleição de Putin ocorreu em contexto de repressão implacável que sufocou os meios de comunicação independentes e grupos de direitos humanos. O mais feroz opositor de Putin, Alexei Navalni, morreu em uma prisão no Ártico em fevereiro – outros críticos estão na prisão ou no exílio. A disputa não contou com a presença de observadores internacionais independentes.
PROTESTOS. O último dia da eleição foi marcado pela forte presença dos russos nos centros de votação em um aparente ato de protesto após uma convocação da oposição para um comparecimento simbólico.
A viúva de Navalni, Yulia Navalnaia, sua herdeira política, foi recebida com aplausos ao comparecer na embaixada russa em Berlim para votar ontem. Ela disse ter escrito o nome de Navalni na cédula.
Antes de votar, ela havia pedido aos seus apoiadores para que fossem às urnas no mesmo horário, ao meio-dia (6 horas de Brasília), e votassem em qualquer candidato que não fosse Putin.
O pedido foi atendido, com imagens de longas filas em locais de votação dentro e fora da Rússia. Putin minimizou os protestos em seu discurso.
Apesar dos controles rigorosos do Kremlin, foram relatadas dezenas de casos de vandalismo nos locais de votação. Mais de 70 pessoas foram presas em todo o país, de acordo com o grupo de direitos humanos OVD-Info. O número é menor que de protestos anteriores, incluindo após a morte de Navalni. •
Fonte: O Estado de S. Paulo


