Os “bonds” da RaízenCotação de Raízen voltaram a sofrer um aumento da desconfiança por parte dos agentes de mercado, e o “sell-off” se intensificou na sessão desta quarta-feira em meio a temores de um pedido de recuperação judicial.
A preocupação de investidores veio após a CosanCotação de Cosan, uma das controladoras da RaízenCotação de Raízen, ter anunciado na terça-feira um resgate antecipado para títulos com vencimento em 2030 e 2031, o que eliminaria a cláusula de “cross-default” com a RaízenCotação de Raízen.
Na prática, houve perdas relevantes nos bonds da RaízenCotação de Raízen já na sessão de terça-feira, que se intensificaram nesta quarta. Os títulos em dólar da companhia com vencimento em 2034 caíram 13 centavos de dólar, sendo negociados ao redor de 65 cents no fim da sessão. Durante o dia, os bonds chegaram a ser negociados a 60 cents.
Para se ter dimensão do estresse, o título iniciou o dia com uma taxa de 10,55% e, no fim do dia, negociava a uma taxa de 13,85%. Durante a tarde, o yield do papel chegou a 15,20%.
“O mercado entendeu a ação da CosanCotação de Cosan como o primeiro sinal de desvinculação entre as partes, de tal modo a já preparar o terreno para uma eventual renegociação de dívidas da RaízenCotação de Raízen com os credores”, diz uma gestora de crédito em condição de anonimato.
A avaliação é compartilhada pela analista de crédito Florencia Palacios, do J.P. Morgan, ao observar a piora bastante expressiva nos títulos da companhia. “Esse movimento [da CosanCotação de Cosan] não deveria causar surpresa, já que já havia indicação anterior de planos de redução de endividamento, começando pelas dívidas mais caras, após a injeção de capital de R$ 10 bilhões, com o objetivo de longo prazo de zerar a dívida nesse nível”, aponta.
Palacios, contudo, acredita que o mercado interpretou a decisão como uma “falta de comprometimento” da CosanCotação de Cosan com a RaízenCotação de Raízen, “levantando preocupações de que isso possa abrir espaço para uma eventual recuperação judicial da companhia”.
Na avaliação da analista do J.P. Morgan, essa discussão não está no radar no momento, dado que a RaízenCotação de Raízen “é sustentada por uma posição de liquidez confortável, pelo plano de venda de ativos em andamento; e pela expectativa de melhora do fluxo de caixa livre”.
Palacios, assim, acredita que o mercado “reagiu de forma exagerada” às notícias recentes e a abertura de spreads tende a se corrigir para níveis mais compatíveis com emissores de rating ‘BB’.
Foi nesse sentido, inclusive, que o J.P. Morgan elevou a recomendação para os bonds da RaízenCotação de Raízen de “neutra” para “overweight” (exposição acima da média do mercado) nesta quarta-feira, mas com a ressalva de que se trata de um movimento tático, “já que apenas uma injeção de capital resolverá a questão da estrutura de capital”. “A estrutura atual não comporta um rating de grau de investimento”, enfatiza a analista.
Fonte: Valor Econômico
